Senador relator determina criação de equipe de checagem para a CPI da Pandemia

Deborah Freire | 28/05/2021 12:11

O senador relator da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia no Senado, Renan Calheiros, informou nessa quinta (27) que solicitou à Agência Senado de Notícias que designe servidores para realizar a checagem de fatos em tempo real durante os depoimentos.

Crédito:Agência Senado

O trabalho deve ser feito, segundo a recomendação de Calheiros, em parceria com consultores e assessores da CPI, com o objetivo de auxiliar a comissão a obter informações corretas de forma mais rápida, enquanto os convocados são ouvidos pelos senadores.


“Informo a todos que nós requisitamos à Agência do Senado a designação de pessoas para junto com consultores e assessores da comissão compor essa agência de checagem que instantaneamente vai colaborar com a CPI, mas, sobretudo, com a verdade ao aclarar essas circunstâncias”, declarou durante a sessão de ontem.


Calheiros também destacou a atuação de agências profissionais, como a Estadão Verifica, e outras que anunciaram o desejo de fazer o trabalho de verificação, mas não deixou claro se há a intenção de contratá-las para o serviço. 


“Isso é muito importante, tão importante quanto o grupo da Agência do Senado, porque vamos contar no dia a dia dos nossos trabalhos, inclusive com a chancela de empresas privadas, para colaborar nessa busca permanente da verdade, que é o grande propósito dessa CPI”, disse.


O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues, também reforçou o pedido para a formação da equipe de checagem na Casa e disse que “fatos inverídicos desinformam os brasileiros e brasileiras que acompanham a Comissão Parlamentar de Inquérito”.


Repercussão


A medida, a princípio, teve boa repercussão entre jornalistas que atuam profissionalmente com a verificação de informações, mas o anúncio do relator de que o trabalho seria feito por pessoas ligadas ao Senado não foi bem recebido.


Em sua coluna no UOL, a jornalista Cristina Tardáguila, diretora-adjunta da Rede Internacional de Checagem de Fatos (IFCN na sigla em inglês), escreveu que o Brasil dispõe de pelo menos oito iniciativas que se dedicam a esse trabalho, quatro delas já certificadas pela IFCN, que vêm oferecendo conteúdo verificado sobre falas da CPI há semanas.


“Causa estranheza, portanto, que o Senado desloque pessoal próprio para fazer um trabalho que exige metodologia, transparência e, sobretudo, apartidarismo”, disse. 


Natália Leal, diretora de Conteúdo da Agência Lupa, compartilhou da mesma preocupação. "O fact-checking é um gênero jornalístico que demanda independência, transparência, objetividade e apartidarismo. Não é um instrumento de assessoria de qualquer natureza e não deve ser usado com outro objetivo que não seja o da qualificação do debate público", afirmou à coluna de Tardáguila.


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