"Capitã Cloroquina" faz falsa acusação contra jornalista de dados na CPI da Covid

Redação Portal IMPRENSA | 25/05/2021 17:15
Em depoimento à CPI da Covid nesta terça (25), a médica pediatra Mayra Pinheiro, secretária de gestão do trabalho e da educação do Ministério da Saúde, acusou Rodrigo Menegat, jornalista de dados com reportagens publicadas em grandes veículos de imprensa do país, de "extração indevida de dados" do aplicativo TrateCov. Conhecida como Capitã Cloroquina, Pinheiro foi ouvida na CPI sobre as estratégias do governo para distribuição do chamado "Kit Covid", composto por remédios sem eficácia comprovada no combate à doença. 

Lançado em janeiro pelo governo federal, o aplicativo TrateCov em tese deveria orientar médicos sobre formas de oferecer tratamento para pessoas com suspeita de covid-19. Porém ele foi tirado do ar após críticas de que receitava indiscriminadamente remédios sem eficácia comprovada contra a doença, como cloroquina e ivermectina. Na época Menegat postou em suas redes sociais mensagens sobre simulações que fez no aplicativo. Em um delas, os remédios foram recomendados para um hipotético recém-nascido com dor de barriga e nariz escorrendo.
Crédito:Reprodução

A fala contra o jornalista foi feita após a "Capitã Cloroquina" ter voltado atrás de outra acusação, a de que Menegat hackeou o aplicativo. “Ele (na verdade) não conseguiu hackear. O sistema é seguro. Hackear é quando você usa a senha de alguém, entra dentro de uma plataforma ou de um sistema. Foi uma extração indevida de dados. O termo que foi utilizado foi um termo de leigos. Hoje a gente tem um laudo pericial que classifica a operação feita de extração indevida de dados.” Ainda segundo a secretária, o caso motivou um registro de boletim de ocorrência.

O jornalista, porém, não praticou invasão do sistema nem extração indevida de dados. O aplicativo era aberto e qualquer pessoa podia fazer simulações. Bastava colocar dados do paciente, como idade, peso e sintomas, para receber a prescrição do chamado “tratamento precoce”. Menegat apenas acessou o código público do site do aplicativo e fez simulações na área aberta da plataforma, constatando que até para recém-nascidos os remédios estavam sendo recomendados.

Na época vários jornalistas e veículos de imprensa fizeram simulações semelhantes e verificaram os mesmos resultados, pressionando o Ministério da Saúde a tirar o aplicativo do ar. O TrateCov foi lançado em Manaus, em evento com a participação de Mayra e do ex-ministro Eduardo Pazuello. Na semana passada, Pazuello já havia dito à CPI que o aplicativo foi copiado e divulgado indevidamente. Cearense, Mayra Pinheiro chegou ao Ministério da Saúde indicada (ironicamente) pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, hoje um dos maiores críticos da tresloucada política do governo Bolsonaro de combate à pandemia.