Agressões a repórter da CNN repercutem entre jornalistas e podem chegar à CPI da Pandemia

Redação Portal IMPRENSA | 24/05/2021 11:22

As agressões sofridas pelo jornalista Pedro Duran, repórter da CNN, durante ato em apoio a Jair Bolsonaro, nesse domingo (23), no Rio de Janeiro, repercutiram fortemente entre jornalistas, entidades profissionais, partidos políticos e até entre os senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia.

Crédito:Reprodução / Redes Sociais

Duran cobria a manifestação organizada por apoiadores do presidente, que teve a presença dele e do ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, quando foi intimidado e agredido pelos participantes e precisou de escolta policial para deixar o local.


Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, é possível ver que os agressores gritam "vai para casa", "vagabundo" e "lixo", e segundo apurou a reportagem do UOL, Duran  recebeu socos e chutes.


Muitos jornalistas se manifestaram na tarde de ontem e pediram respeito ao trabalho da imprensa, à liberdade de expressão e à democracia.


A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) informou que a intimidação começou quando a imprensa tentava entrevistar o general Pazuello, e que todos os repórteres no local foram hostilizados e impedidos de cumprir seu trabalho. No entanto, só Duran foi filmado e teve seu nome divulgado nas redes sociais, o que motivou outros ataques, dessa vez, virtuais. Um dos divulgadores do vídeo, segundo a entidade, foi o vereador de Niterói Douglas Gomes (PTC-RJ).


A hashtag “CNN lixo” figurou entre as mais comentadas do dia no Twitter. A empresa foi recentemente atacada por Jair Bolsonaro, no dia 8 de maio, quando o presidente criticou o jornalista Fernando Molica por uma análise sobre a ação da Polícia Civil fluminense que resultou em uma chacina no Morro do Jacarezinho.


“A intimidação de repórteres por políticos e militantes ligados a Jair Bolsonaro tem como objetivo impedir a cobertura de fatos de interesse público e, portanto, é uma violação à liberdade de imprensa. Tal comportamento é incentivado pelo presidente da República, que frequentemente propaga teorias conspiratórias, ofensas e discursos estigmatizantes contra jornalistas. A obstrução do trabalho da imprensa é antidemocrática e se espera dos poderes Legislativo e Judiciário uma posição firme em defesa dos direitos humanos e da civilidade na convivência entre cidadãos de diferentes opiniões”, cobrou.


A CNN, onde Duran trabalha como repórter, emitiu uma nota em que afirma repudiar qualquer tipo de agressão e defendeu o trabalho jornalístico com segurança e independência.


"A CNN Brasil repudia veementemente qualquer tipo de agressão. Acreditamos na liberdade de imprensa com um dos pilares de uma sociedade democrática. Os jornalistas têm o direito constitucional de exercer sua profissão de forma segura, para noticiarem fatos, dentro dos princípios do apartidarismo e da independência", escreveu a assessoria da emissora.


A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio (SJPMRJ) classificaram a ação como truculenta e antidemocrática, e destacaram que nos últimos anos é crescente a onda de violência contra os profissionais da imprensa no Brasil. As entidades também pediram providências às autoridades do Rio de Janeiro.


“Em mais uma manifestação de truculência, intransigência, absoluto desrespeito com a atividade jornalística e a liberdade de imprensa e de expressão, grupos bolsonaristas atacaram o repórter Pedro Duran. O Relatório da Violência contra Jornalista e Liberdade de Imprensa – 2020, produzido pela Fenaj, mostra que nos dois últimos anos é crescente a insegurança para o exercício da profissão de jornalista no Brasil. Os ataques por parte de grupos de apoiadores do presidente passaram a ser frequentes e, lamentavelmente, são alimentados pela pessoa que ocupa o mais alto cargo da Nação. O SJPMRJ e a FENAJ cobram das autoridades as providências no sentido de punir os responsáveis pela manifestação, que desrespeitou todas as medidas sanitárias de combate à pandemia e pôs em risco a vida de milhares de cidadãos cariocas”, afirma a nota conjunta.


Exército irá apurar ida de Pazuello


A repercussão negativa chegou até o Exército brasileiro, por conta da presença de Pazuello no local. Ele é general de divisão da ativa e não poderia estar em manifestação político-partidária sem que exerça cargo no governo que justifique sua ida ao local. O comando deve tratar do caso a partir de hoje.


Quem também vai pedir explicações sobre o ato, as aglomerações e o não uso de máscaras pelos participantes e pelas autoridades tanto no Rio como no Amazonas é o grupo de senadores de oposição que forma a maioria da CPI da Pandemia, conhecido como G7.


De acordo com o vice-presidente do colegiado, senador Randolfe Rodrigues será colocado em votação, na quarta-feira (26), na Comissão Parlamentar de Inquérito requerimentos de convocações do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do ex-chefe do Executivo fluminense, Wilson Witzel, além do governador do Amazonas, Wilson Lima, para que deem esclarecimentos.


Veja repercussão:


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