RSF se coloca à disposição da CPI da Covid-19 para provar ataques de Bolsonaro à imprensa

Deborah Freire | 13/05/2021 12:47

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) se colocou à disposição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, promovida pelo Senado Federal, para apresentar provas dos ataques do presidente Jair Bolsonaro à imprensa durante a cobertura da pandemia.

Crédito:Agência Senado

Após ser citada na CPI, nessa quarta-feira (12), pelo senador relator, Renan Calheiros, que apresentou dados do levantamento feito pela RSF do número de agressões e ameaças de Bolsonaro, seus familiares e integrantes do governo à jornalistas e veículos de mídia, a organização se pronunciou no Twitter.


Ela destacou que, diferente do que afirmou o ex-secretário das Comunicações, Fabio Wajngarten, em depoimento à CPI, o presidente da República atua e contribui até hoje para a escalada de violência contra o jornalismo no Brasil.



Wajngarten disse que o presidente nunca perseguiu jornalistas e que “sempre deixou muito claro que compactua com a maior liberdade de imprensa possível e com a liberdade de expressão”, que “isso é pétreo nele (em Bolsonaro)”.


O embate


Renan Calheiros, antes de questionar Wajngarten, disse em referência ao levantamento da RSF que “o presidente e seus filhos fizeram 469 ataques a veículos de imprensa só em 2020, no primeiro ano da pandemia” e que “metade dos seus ministros promoveu ataques à imprensa”.


Ele citou que, segundo a organização, as jornalistas mulheres foram as mais atacadas e que entre as ofensas houve: ameaça judicial, retirada da credibilidade e impedimento da cobertura.


Com base nos dados, o relator perguntou ao ex-secretário: “Esses ataques faziam parte da estratégia de comunicação da Presidência da República para a condução da pandemia?”.


Wajngarten respondeu que não e que a Secom sempre foi “muito técnica” durante sua gestão. Mas perguntado se concordava com a estratégia revelada pela pesquisa, disse que precisaria analisar caso a caso. “É muito difícil você reagir quando você tem uma inverdade publicada por um jornalista, eu mesmo fui vítima disso muitas vezes”.


“O relatório comprova que os 580 ataques contra jornalistas e veículos em 2020 ocorreram através de um sistema coordenado, na tentativa de silenciar sua gestão desastrosa do coronavírus”, contrapôs a organização.


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