Proibida pela Justiça, campanha a favor do tratamento precoce vira alvo da CPI da Covid

Redação Portal IMPRENSA | 30/04/2021 17:28
Foi incluída nesta sexta (30), no plano de trabalho da CPI da Covid, a determinação de apuração de destinação de recursos públicos pelo governo federal para promover campanhas de desinformação durante a pandemia.

A inclusão foi feita pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL). Estão no alvo das investigações especialmente peças publicitárias a favor de medicamentos comprovadamente ineficazes para tratar pacientes de covid-19, como hidroxicloroquina e ivermectina.

Renan Calheiros também pediu a cópia de todos os atos e processos administrativos e normativos que tratem das estratégias e campanhas do Ministério da Saúde e da Comunicação para o enfrentamento à covid-19.
Crédito:Adriana Antunes

Instalada no dia 28 de abril, a CPI da Covid também vai apurar o uso de mais de R$ 1,3 milhão de verba federal para pagar ações de marketing sobre covid-19 com influenciadores digitais. O jornal O Estado de Minas lembra que o valor foi investido em março pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Comunicação (Secom) e inclui R$ 85,9 mil destinados ao cachê de 19 "famosos" contratados para divulgar essas campanhas em suas redes sociais.

Um pouco antes, em janeiro deste ano, a Secom já havia contratado quatro influenciadores, que receberam um montante de R$ 23 mil para falar sobre "atendimento precoce". Ainda segundo o Estado de Minas, a verba saiu de um investimento total de R$ 19,9 milhões da campanha publicitária denominada "Cuidados Precoces COVID-19".

Desinformação também na mira da justiça
Nesta quinta (29) a juíza Ana Lúcia Petri Betto, da 6ª Vara Cível Federal de São Paulo, ordenou que a Secom se abstenha de patrocinar propaganda que "contenha referências" a fármacos de eficácia duvidosa no combate ao novo coronavírus, como a cloroquina, defendida publicamente por Bolsonaro inúmeras vezes.

A juíza também exigiu que os influenciadores digitais contratados pelo governo Bolsonaro para promover o tratamento precoce se retratem nas suas redes sociais. A magistrada atendeu a uma Ação Civil Pública.

A juíza também impediu que o executivo utilize em suas peças publicitárias expressões como "tratamento precoce" e "kit covid", que abrange uma série de medicamentos anunciados pelo executivo federal como uma espécie de cura para a doença.

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