“Paixão pela Liberdade de imprensa: agenda permanente”, por Sinval de Itacarambi Leão

Opinião

Sinval de Itacarambi Leão | 30/04/2021 08:20

A celebração do dia Mundial da Liberdade de Imprensa, datada para 3 de maio, foi instituída desde 1993, pela ONU e representa a definição mais apaixonante da democracia contra os ditadores e os candidatos a déspotas, esclarecidos ou não. A liberdade é a poesia da autoestima, sentimento do direito inato de ser o que quiser. A UNESCO, braço cultural e curador das causas e atividades culturais de todos os povos, foi quem teve o insight de aprofundar o conceito da liberdade de imprensa como uma resposta permanente e ativa, motivando assim a universalização de sua celebração.


Reprodução Folha de São Paulo

Entulho autoritário

 

À instituição da imprensa compete a luta sem trégua a favor da verdade e contra a negação dos fatos.  Nunca a paixão foi uma virtude tão necessária como na era do negacionismo, onde a desinformação virou uma arma mortal contra a democracia e que até tem nome: fake news, assim mesmo, em inglês.

Na prática diária do jornalismo, há um desafio tácito formulado entre o sujeito povo donde emana todo o poder e os poderes que se legitimam no estado de direito. A ruptura acontece sempre que o poder instituído quer controlar o povo, por decreto, via seus representantes ou golpe militar. Todas as maquinações do poder vigente em negar o povo, é visto como anticonstitucional ou mesmo crime, quando há tipificações apenadas.

 

Herzog e Tim Lopes

 

Desde a execução de Marat na Revolução Francesa (1793) e o massacre da redação do Charlie Hebdo, na França, em 2015, jornalistas morrem por conta da imprensa livre. No Brasil, na primeira década da independência, o poder imperial eliminou dois jornalistas, que se tornaram mártires, Frei Caneca (1825) e Libero Badaró (1830). E isso, com a uma constituição imposta por D. Pedro I, em 1824, pasmem, onde a liberdade de imprensa era literalmente declarada.

A ditadura de 64, impôs as famigeradas leis de Segurança Nacional e de Imprensa, torturou e executou Vladimir Herzog (1975) cujo assassinato marcou o início da redemocratização do Brasil. Tim Lopes, morto em ritual macabro pelo narcotráfico carioca, em 2002, serve também de referência, a todos os jornalistas de como a luta pela liberdade de imprensa é multifacetada. Vai dos truques jurídicos de má fé, nos 66 processos de Igreja Universal contra Elvira Lobato que denunciava o enriquecimento inexplicável dos pastores, em 2007, aos ataques imorais a Patricia de Campos Mello, em 2020 sobre a denúncia dos disparos ilegais nas mídias sociais para o candidato Bolsonaro, nas eleições de 2018.

 

Não nos esqueçamos ainda do ato terrorista acontecido, em março deste ano, contra a redação e casa da família do jornalista José Antônio Arantes, diretor da Folha da Região, em Olímpia, no interior paulista, pelo simples fato do jornal defender medidas sanitárias contra a pandemia. A paixão pela liberdade não motiva os jornalistas apenas como ativo imanente, mas principalmente como dinâmica estruturante da arte e da ação de informar a partir dos fatos e do contraditório.



Arquivo Pessoal










Sinval de Itacarambi Leão 
Editor e Diretor Responsável da revista e portal IMPRENSA




Leia também

Censuras vigentes pautam o Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia realizado online

“Ano virulento para a liberdade de imprensa”, por Sinval de Itacarambi Leão