Jornalista de Roraima recebe envelope com balas e CPJ cobra investigação e proteção policial

Redação Portal IMPRENSA | 12/04/2021 09:55

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) cobrou das autoridades brasileiras uma investigação célere  e meticulosa da ameaça ao jornalista Diego Santos, que no dia 1o de abril recebeu duas balas e uma mensagem manuscrita ameaçadora na caixa de correios de sua casa, em Boa Vista, Roraima. O CPJ solicitou ainda que a segurança do jornalista seja garantida pelo poder público. 

Crédito:Masci Araújo
Jornalista Diego Santos

De acordo com o relato de Santos, na manhã do dia 1º, ele checou a caixa de correio do lado de fora da casa e encontrou um envelope com duas balas dentro e a seguinte mensagem escrita à mão: “Para Diego Santos. A medida exata para silenciar qualquer denúncia”.


O jornalista apresenta o programa “Verdade no Ar” na TV Norte Boa Vista, afiliada do SBT, onde frequentemente faz a cobertura de crimes, questões de policiamento e suposta corrupção, segundo relatou em conversa por telefone ao CPJ.


Ele denunciou a ameaça em seu programa e também procurou a polícia para relatar o fato. A carta e as balas foram entregues aos policiais, mas o jornalista disse que não recebeu nenhuma promessa de proteção pessoal.

Crédito:Diego Santos

“As autoridades brasileiras devem investigar rápida e integralmente a ameaça feita ao jornalista Diego Santos, garantir sua segurança e de sua família, e adotar medidas de proteção eficazes para permitir que ele continue trabalhando sem temer por sua vida”, disse em Nova York a coordenadora do programa do CPJ para as Américas Central e do Sul, Natalie Southwick.


“Uma ação ágil para identificar os responsáveis por ameaçar jornalistas é crucial para evitar o agravamento da violência física e para proteger a liberdade de imprensa no estado de Roraima e em todo o Brasil, completou”.


De acordo com o portal UOL, o caso vai ficar sob investigação do delegado Emerson Freire. "A imprensa merece respeito em suas matérias. Então, estamos tratando o caso como uma ameaça à liberdade de imprensa. Agora, a carta e as munições serão periciadas, e logo começaremos as diligências", disse.


A Secretaria de Comunicação do Estado de Roraima enviou declaração ao CPJ por e-mail informando que o Grupo de Resposta Imediata da Polícia Civil supervisiona a investigação. A pasta afirmou que imagens de câmeras de segurança das proximidades da residência do jornalista são analisadas, mas que as autoridades não identificaram ainda os autores da ameaça.


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Diego Santos disse ao CPJ que enfrenta processos cíveis relacionados as suas reportagens, inclusive de uma empresa que ele acusou de práticas trabalhistas inadequadas e de um funcionário do governo que criticou pelas altas taxas de mortalidade em um hospital local, mas explicou que a ameaça recente foi diferente. 


“A gente sempre tem ‘haters’ mandando algum comentário no programa que vai ao ar todo dia. Mensagens xingando. Mas nada nesse sentido ameaçador,” relatou.


“Esse tipo de ação [xingamentos] é normal no jornalismo e é direito da pessoa buscar o sistema de justiça”, afirmou. “Mas daí a receber uma ameaça contra sua vida na sua casa, aí complica. Porque eu não penso só mais em mim, mas também na minha família.”


“Sei de outros colegas que já foram ameaçados”, disse Santos. “A gente nota que aqui isso é recorrente e isso me deixa preocupado. Há uns meses teve o caso do jornalista que foi sequestrado e até hoje a polícia não prendeu ninguém. Não fizeram nada.”


Em outubro de 2020, o jornalista Romano dos Anjos foi sequestrado e agredido em Boa Vista, conforme documentou o CPJ na época.


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