Notícias falsas ajudaram a matar milhares, diz Faculdade de Saúde Pública da USP

Redação Portal IMPRENSA | 29/03/2021 17:17
A Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) divulgou nota nesta segunda (29) em favor da "responsabilização das autoridades que vêm descumprindo o seu dever constitucional de proteger a saúde pública, tendo como resultado uma catástrofe humana de proporções inéditas na história do Brasil".

Além de atribuir à "expectativa de imunidade coletiva por contágio" a morte de centenas de milhares de brasileiros e a ameaça ao Sistema Único de Saúde (SUS), a FSP criticou a "propaganda contra a saúde pública, que inclui a divulgação de notícias falsas, promovida inclusive por setores do Estado." 

Para a FSP, esse tipo de propaganda precisa ser coibido e os responsáveis por ela devem ser punidos. "A falsa oposição entre proteção da saúde e proteção da economia deve ser desfeita. Bom para a economia é conter a pandemia", prossegue o texto. 
Crédito:Reprodução USP
Fachada do prédio da Faculdade de Saúde Pública da USP: expectativa de imunidade por contágio gerou tragédia

A estratégia de disseminação do vírus, defende a FSP, "ameaça o SUS a curto, médio e longo prazo, pela sobrecarga de seus profissionais e serviços, pelos gastos desproporcionais em insumos e assistência e pela erosão de seu equilíbrio federativo".

Além da vacinação em massa e de ações de contenção da propagação do vírus, incluindo lockdown acompanhado de medidas de proteção social, a FSP defende que o combate à crise exige "comunicação de risco eficiente e o combate à propaganda contra a saúde pública"

Em vez disso, a nota alerta que o governo alimentou a "expectativa de que a imunidade de rebanho pudesse ser alcançada de forma natural por meio do contágio". 

"Em setembro do ano passado, alguns modelos matemáticos sugeriram que em Manaus (AM) a imunidade de rebanho poderia estar próxima pois aproximadamente 66% da população poderia já ter sido infectada. Ainda que isto tivesse ocorrido, a imunidade coletiva teria sido alcançado ao custo de elevadas incidência e mortalidade evidenciadas desde fases precoces da epidemia. No entanto, a expectativa da imunidade coletiva por contágio não procede, por várias razões, incluindo o fato de que ser infectado não implica necessariamente desenvolver uma imunidade efetiva. Além disso, vários estudos têm sugerido que a imunidade adquirida naturalmente poderia se perder ou ser insuficiente, e reinfecções podem ocorrer."