Zuckerberg nega responsabilidade do Facebook na invasão ao Capitólio e aponta para Trump

Redação Portal IMPRENSA | 26/03/2021 11:24

O presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, negou nessa quinta-feira (25) em depoimento ao Congresso dos Estados Unidos que a plataforma tenha tido responsabilidade na invasão ao Capitólio, no dia 6 de janeiro, e acusou os autores dos conteúdos postados como culpados, entre eles o ex-presidente Donald Trump.

Crédito:Reuters

Além de Zuckerberg, os executivos do Twitter, Jack Dorsey, e do Google, Sundar Pichai, compareceram a um painel da Câmara por meio de um link de vídeo para responder os questionamentos sobre falhas de moderação de conteúdo que teriam ocorrido antes do episódio que ameaçou a posse de Joe Biden.


Para o CEO do Facebook, a desinformação, o discurso de ódio e extremismo online na plataforma, que levaram à invasão, foram “responsabilidade das pessoas que tomaram as medidas para infringir a lei e... também as pessoas que divulgam esse conteúdo, incluindo o [ex] presidente [Donald Trump], mas outros também”, disse.


Perguntado sobre a amplificação do discurso polarizador e provocativo na plataforma, Zuckerberg ainda declarou: "Eu acredito que a divisão que vemos hoje é principalmente o resultado de um ambiente político e de mídia que separa os americanos". Só mais tarde, ele reconheceu que a empresa trabalhar mais para tornar sua moderação “mais eficaz”.


Apenas Jack Dorsey, do Twitter, assumiu um tom mais conciliador, dizendo: “Cometemos erros na priorização e na execução”.


Por outro lado, argumentou que nem um governo nem uma empresa privada deveriam ser os árbitros da verdade - em vez disso, elogiou os esforços iniciais do Twitter para construir um sistema de moderação de conteúdo “descentralizado”, que seria de código aberto e não administrado por nenhuma organização.


Pichai, do Google, falou em termos mais cautelosos sobre possíveis mudanças na lei, citando temores sobre "consequências não intencionais", incluindo danos à liberdade de expressão.


Essa foi a terceira vez que os executivos foram interrogados perante políticos americanos em menos de seis meses. As plataformas realizaram mudanças recentes em suas políticas de moderação de conteúdo para a eleição de 2020 nos EUA e depois da votação após duras críticas de estudiosos e da imprensa.


Mas com o motim do Capitólio, em que cinco pessoas morreram, muitos críticos argumentaram que as medidas eram muito pouco, muito tarde e que a fiscalização era irregular.


Durante a audiência dessa quinta-feira, os legisladores exigiram mais transparência e auditoria dos algoritmos secretos das plataformas.


Eles falaram em limitar as proteções legais para plataformas online, prevista na Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações de 1996, que diz que as empresas não são legalmente responsáveis pelo conteúdo que os usuários publicam em seus sites. Mas muitos membros do Congresso querem restringir quando essas proteções devem ser aplicadas.


Michael Doyle, representante democrata da Pensilvânia, disse: “Vez após vez você está escolhendo engajamento e lucro em vez da saúde e segurança de seus usuários”.


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