Brasil só tem diretores de redação brancos, aponta estudo do Instituto Reuters

Redação Portal IMPRENSA | 22/03/2021 17:57
Relatório sobre representatividade racial em redações de veículos de imprensa de diferentes países, divulgado neste domingo (21) pelo Instituto Reuters para estudos do Jornalismo na Universidade de Oxford, mostra que o Brasil é um dos poucos países avaliados sem qualquer diretor de redação não branco nos seus principais órgãos de comunicação.

A presença de negros no comando das redações brasileiras equivale à vista em países como Alemanha e Reino Unido,cuja população é predominantemente branca.
Crédito:Reprodução
Programa da GloboNews foi criticado ano passado por discutir racismo sem presença de negros

Ao todo foram pesquisados 100 veículos, de cinco países diferentes: Brasil, África do Sul, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Embora os resultados do Brasil tenham sido negativamente abaixo da média, o estudo mostrou que em todos os países avaliados a representatividade racial entre os jornalistas que atuam em cargos de comando é um item crítico dos veículos de imprensa.

“Os brancos estão significativamente super-representados entre os diretores de redação em todos os cinco países, e os não brancos estão significativamente sub-representados”, diz o relatório.

O estudo também mostrou que o percentual de diretores de redação não brancos caiu de 18% para 15% em comparação ao ano passado e que esse percentual é bem menor do que o índice de não brancos na população combinada dos cinco países (42%). 

A África do Sul concentra a maioria dos líderes de redação não brancos, mas protagonizou uma queda de 68% em 2020 para 60% em 2021. 

A publicação do relatório celebra o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, criado pela ONU em memória às vítimas do Massacre de Sharpeville, na África do Sul. Ocorrido em 1960, o incidente deixou 69 vítimas fuziladas por protestar contra a política de segregação racial do país.