Jornalistas são agredidos em diferentes partes do Brasil durante atos contra distanciamento

Redação Portal IMPRENSA | 15/03/2021 17:57
Pelo menos dois casos de agressão a profissionais de imprensa que cobriam manifestações contra medidas de combate à pandemia foram registrados na últimas horas.

Nesta segunda (15), o repórter da TV Serra Dourada Maycon Leão e seu cinegrafista foram intimidados enquanto faziam uma transmissão ao vivo de uma manifestação na BR-153, em Goiânia, pela liberação do comércio.
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Repórter Maycon Leão (à direita) negocia com agressor durante entrada ao vivo: medo de linchamento e cusparadas

Eles foram coagidos por um manifestante a encerrar a transmissão. “Ele disse que teríamos que ir embora, afinal estávamos em lockdown. Eu expliquei, então, que nosso serviço era essencial, mas ele insistiu”, contou Maycon.

O repórter afirmou que teve medo de ser linchado ou mesmo de ser alvo de cusparadas dos agressores. 

Palhaça e vagabunda
No domingo (14), em Salvador (BA), a fotojornalista Paula Fróes, do Jornal Correiro, foi agredida verbalmente durante outra manifestação contra as medidas de distanciamento. O caso ocorreu no bairro da Mouraria. Enquanto registrava  imagens do evento, a repórter foi chamada de "palhaça" e "vagabunda", entre outras ofensas, e foi cercada pelos manifestantes simpáticos ao governo de Jair Bolsonaro.
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Em Salvador, fotógrafa do Correio foi ameaçada por professor de educação física Genisson Moreira

"Agora que você chega, é? Pra dizer que teve pouca gente. Você não tem vergonha na cara. Palhaça! Vocês são bandidos, vagabundos! A imprensa é que nem um cachorro, sempre atrás de comida. Fale seu nome! Vagabunda! Chamei mesmo, de vagabunda, é vagabunda mesmo, a serviço de bandido. Venha cá, comunista!", disse um dos manifestantes.

Um dos homens que agrediram verbalmente a jornalista já foi identificado. É o educador físico Genisson Moreira, diretor-presidente da Asdeck Karatê e fundador do Instituto Amigo dos Bairros. Genisson se candidatou a vereador de Salvador pelo PTC em 2020, recebendo pouco mais de 300 votos. Além disso, ele também já trabalhou como assessor parlamentar na Câmara de Vereadores de Salvador (CMS).