Violações contra a liberdade de imprensa crescem 124% em Cuba

Redação Portal IMPRENSA | 15/02/2021 19:08
Levantamento do Instituto Cubano por la Libertad de Expresión y Prensa (ICLEP) apontou um aumento de 124% no número de violações contra a liberdade de imprensa em Cuba em janeiro de 2021, em comparação com o mesmo mês de 2020. Ao todo foram registradas 38 violações.

Parte do aumento se deve à repressão a uma manifestação ocorrida em Havana em 27 de janeiro, quando jornalistas, ativistas e artistas se concentraram diante do Ministério da Cultura, em homenagem ao herói da independência cubana José Martí.

Os manifestantes buscavam dialogar com o ministro da Cultura, Alpidio Alonso, sobre detenções de membros do grupo ocorridas ao longo do dia.
Crédito:Reprodução El Pais

Na ocasião, o Alonso deu um tapa no celular do jornalista Mauricio Mendoza. Em seguida, autoridades agrediram fisicamente e detiveram ao menos cinco jornalistas, segundo a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP).

Jornalistas e organizações de imprensa ouvidos por Marina Estarque, do Latam Journalism Review (LJR), em reportagem publicada no dia 10 de fevereiro, acreditam que os ataques devem continuar avançando em Cuba.

O diretor geral do ICLEP, Normando Hernández, apontou que os picos de repressão a jornalistas em Cuba costumam estar ligados à cobertura de atividades da sociedade civil 

"Se levarmos em conta o comportamento da repressão no ano passado, podemos garantir cem por cento que o que aconteceu em janeiro será a tendência para todo o ano", disse.

Mesma previsão fez o presidente da Asociación Pro Libertad de Prensa (APLP), José Antonio Fornaris, para quem os ataques contra os jornalistas aumentam sempre que o governo cubano se sente mais ameaçado. 

Ainda de acordo com a reportagem do LJR, em dezembro do ano passado a SIP publicou um alerta de uma onda de repressão contra jornalistas em Cuba.

Segundo o ICLEP, as prisões arbitrárias corresponderam a 55% das violações contra liberdade de imprensa promovidas pelo regime cubano em janeiro. 

Muitos jornalistas cubanos também são intimados a comparecer em delegacias, além de sofrerem ações de despejo, difamação, proibições de sair do país e agressões físicas. A limitação do acesso à internet também é uma estratégia à qual o regime cubano apela para dificultar o trabalho da imprensa.

No dia 27 de janeiro, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), as autoridades bloquearam o acesso à internet em Cuba por cerca de duas horas.