Após período de relativa segurança, violência contra jornalistas volta a assustar a Colômbia

Redação Portal IMPRENSA | 10/02/2021 17:45
Castigada por um conflito interno de mais de meio século, que teve jornalistas entre os alvos principais, a Colômbia havia ganhado elogios da comunidade internacional por ter conseguido controlar a violência contra a imprensa.

Porém, após um período de relativa segurança e estabilidade, os casos de agressão contra jornalistas voltaram a ser um problema grave no país, que hoje é o terceiro mais perigoso para a imprensa nas Américas, atrás somente do México e de Honduras.

Desde a assinatura do acordo de paz com a ex-guerrilha das Farc, em 2016, as ameaças, os homicídios, os deslocamentos e o exílio forçado se intensificaram entre os profissionais de imprensa do país "de forma significativa", com um total de 1.013 agressões e oito assassinatos.
Crédito:Reprodução Exame
Violência contra jornalistas aumentou na Colômbia desde acordo de paz com as Farc, em 2016

As informações foram reveladas nesta terça (9), em um relatório da Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), por ocasião do Dia do Jornalista na Colômbia. Segundo a ONG, os homicídios ocorreram em regiões "desprotegidas pelo Estado".

Somente em 2020, houve dois assassinatos de jornalistas na Colômbia. As vítimas foram Abelardo Liz e Felipe Guevara. As principais violações à liberdade de imprensa na Colômbia foram ameaças (152), obstrução ao trabalho jornalístico (44), agressões físicas (30) e estigmatização (19).

Houve aumento de 10% nas ameaças a comunicadores em 2020. Para a FLIP, chama atenção a "capacidade de intimidação" do Estado colombiano aos jornalistas.

"Uma operação alarmante de espionagem (a repórteres), o abuso da força policial contra a imprensa durante as manifestações e a atitude displicente e estigmatizante por parte de funcionários do mais alto nível se sucedem com tal flagrância e reiteração que é impossível não assumi-lo como uma mensagem na qual a imprensa é entendida como oposição", afirmou Jonathan Bock, diretor da FLIP.