Mais três entidades ligadas ao jornalismo são indicadas ao Nobel da Paz

Redação Portal IMPRENSA | 02/02/2021 15:48
Poucos dias após o anúncio de que a Rede Internacional de Checagem de Fatos (IFCN, na sigla em Inglês) foi indicada ao Nobel da Paz por seu trabalho contra a desinformação na pandemia, outras três iniciativas ligadas ao jornalismo foram incluídas entre os candidatos ao prêmio.

A primeira é o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês), que foi indicado ao Nobel da Paz por três parlamentares noruegueses, por seu trabalho contra a corrupção e em favor da transparência no sistema financeiro global. 

Baseado nos EUA, o ICIJ reúne mais de 400 jornalistas de 88 países e 110 veículos de comunicação. Seu objetivo é promover investigações jornalísticas colaborativas, como a cobertura do vazamento de documentos da Rede de Combate aos Crimes Financeiros (FinCen, na sigla em inglês). 

Sob coordenação do ICIJ, o trabalhou originou uma série de reportagens investigativas publicadas em 2020, que revelaram como alguns dos maiores bancos do mundo permitem que criminosos movimentem ilegalmente dinheiro sujo.

No Brasil o site Poder360 e as revistas Época e Piauí estão entre os veículos que participaram da investigação jornalística desse vazamento, batizada de FinCen Files. 

Outra investigação jornalística de destaque coordenada pelo ICIJ foi realizada em 2016 e ficou conhecida como Panama Papers. Ganhadora do prêmio Pulitzer, a série de reportagens  expôs a indústria de finanças offshore a partir de um vazamento de milhões de arquivos com detalhes de redes financeiras secretas ligadas a pessoas ricas e poderosas, incluindo criminosos, celebridades e líderes políticos.

Repórteres Sem Fronteiras e CPJ
Nesta terça (2), o líder trabalhista do congresso norueguês Jonas Gahr Støre fez três indicações ao Nobel da Paz, todas ligadas ao jornalismo. Entre elas está a jornalista filipina Maria Ressa, criadora do site de notícias Rapler e crítica do governo do presidente Rodrigo Duterte. A ONG Repórteres Sem Fronteiras e o Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ) também foram indicados pelo parlamentar ao prêmio.  

“A Repórteres Sem Fronteiras e o Comitê de Proteção a Jornalistas são as duas principais organizações do mundo na promoção da liberdade de imprensa e na proteção dos jornalistas. Um prêmio Nobel para essas entidades será o reconhecimento ao importante trabalho que elas realizam, além de reconhecer o trabalho de milhares de jornalistas que trabalham sob ameaças”, disse Støre. 

Quanto à filipina Maria Ressa, o norueguês lembrou que ela se tornou um símbolo global da defesa da liberdade de imprensa e de expressão. Além de ter coberto o sudeste asiático para a CNN por duas décadas, Ressa ganhou notoriedade por reportagens publicadas na Rappler denunciando os assassinatos extrajudiciais promovidos pelo presidente Rodrigo Duterte como parte da política de combate às drogas nas Filipinas.

Em retaliação a seu trabalho, a jornalista está sendo alvo de perseguição judicial e pode ser condenada a décadas na prisão.

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