Assassinos de jornalista são soltos e cartunista é preso por vídeo no Facebook

Redação Portal IMPRENSA | 28/01/2021 14:34
Duas notícias internacionais agitaram os defensores do jornalismo, da democracia e da liberdade de imprensa nesta quinta (28).

A primeira foi a prisão pelo governo do Egito do cartunista Ashraf Hamdi, sob a alegação de espalhar notícias falsas em mídias sociais. Co-fundador  do blog de charges e animações Egyptoon, ele foi detido por forças de segurança na manhã de ontem, em sua casa na cidade de Giza.

Colegas e amigos acreditam que a prisão foi causada pela publicação, no dia 24, de um vídeo na página do Facebook do Egyptoon sobre os 10 anos dos protestos que ficaram conhecidos como Primavera Árabe. A página tem 3 milhões de seguidores e o vídeo não está mais disponível.
Crédito: Reprodução Twitter
Cartunista Ashraf Hamdi: prisão teria sido causada por vídeo sobre 10 anos da Primavera Árabe

Sherif Mansour, coordenador do programa para o Norte da África e Oriente Médio do Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ), atacou o governo do presidente egípcio Abdelfattah al-Sisi e exigiu a liberdade do cartunista.

“Dez anos atrás, em busca de liberdade, o povo do Egito derrubou o regime de Hosni Mubarak durante a Primavera Árabe. Hoje o governo do presidente Abdelfattah al-Sisi está prendendo um jornalista que ousa lembrar aquele evento histórico. As autoridades devem soltar imediatamente Ashraf Hamdi e encerrar quaisquer acusações contra ele.”

Jornalista degolado
Já a Suprema Corte do Paquistão decidiu que três homens condenados pelo sequestro e assassinato do jornalista norte-americano Daniel Pearl devem ser libertados. Pearl era chefe da sucursal do Wall Street Journal no Sul da Ásia em 2002, quando foi sequestrado no Paquistão ao apurar uma pauta.
Crédito: Reprodução Washington Post
Jornalista Daniel Pearl foi assassinado em 2002: justiça do Paquistão soltou três condenados pelo crime
Os criminosos acabaram assassinando-o de forma bárbara, filmando sua decapitação e enviando o vídeo a autoridades dos Estados Unidos. Quatro homens foram presos e acabaram condenados no Paquistão. O britânico Ahmed Omar Saeed Sheikh chegou a receber pena de morte.

No ano passado, porém, a justiça do Paquistão voltou atrás e revogou as condenações dos outros três homens. Já a sentença de Sheik foi reduzida a sete anos de prisão.

A família de Pearl e algumas autoridades do Paquistão apelaram à Suprema Corte do país, que nesta quinta (28) decidiu a favor dos assassinos.

Além de chocar os já traumatizados familiares, colegas, amigos e defensores do jornalismo, a decisão tem potencial para virar um incidente diplomático, uma vez que autoridades norte-americanas já demonstraram desaprovação às benesses judiciais concedidas aos assassinos do jornalista do Wall Street Journal. Resta saber como será a retaliação da Casa Branca, agora sob Joe Biden, à atitude do Paquistão.