Conta de Bolsonaro no Twitter bloqueia site de checagens de notícia e chega a 37 bloqueados

Redação Portal IMPRENSA | 20/01/2021 11:03

Campeão de bloqueio de jornalistas no Twitter entre autoridades públicas brasileiras, o presidente Jair Bolsonaro bloqueou na tarde de segunda (18) o site Aos Fatos, agência especializada em checagem de notícias, e a diretora da Agência Pública, Natália Viana.

Crédito:Agência Brasil

De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), já chega a 37 o número de profissionais da imprensa bloqueados por ele. Somando com os atos de outras autoridades, são 70 perfis impedidos de acompanhar as contas oficiais e divulgar informações de interesse público.



Em nota sobre o assunto, Aos Fatos declarou que considera que o bloqueio é arbitrário e demonstra intolerância de Bolsonaro ao contraditório. Tai Nalon, diretora-executiva do site, afirmou que a ação “é casuística, autoritária e também contraproducente, já que qualquer outro perfil, logado ou deslogado, pode ler o que Bolsonaro publica na rede social”.


Aos Fatos acredita que a retaliação foi resposta ao hotsite criado para checar todas (4.591) as declarações de Bolsonaro, inclusive no Twitter. O site divulgou na sexta passada que ao menos 982 vezes ele deu informações distorcidas ou falsas sobre a pandemia do novo coronavírus.


Outros bloqueados


Entre a lista de bloqueados por Bolsonaro estão oito jornalistas do The Intercept Brasil, dois portais de notícias, os deputados federais Alexandre Padilha (PT-SP), Natália Bonavides (PT-RN), Pedro Uczai (PT-SC) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP), a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP), que era aliada do presidente, além de jornalistas, pesquisadores, influenciadores e youtuber.


A Abraji monitora diariamente bloqueios de jornalistas no Twitter por autoridades públicas desde setembro de 2020. O projeto, apoiado pela Open Society Foundations, tem como objetivo incentivar a discussão sobre a legalidade dessa prática. Para informar o relato pessoal, clique aqui.


Para Vitor Blotta, professor da Universidade de São Paulo e coordenador do grupo de Jornalismo, Direito e Liberdade (ECA-USP), as pessoas em cargos públicos não deveriam poder bloquear jornalistas nas redes sociais se elas usam seus perfis pessoais para comunicar informações de seus cargos.


A ordem jurídica brasileira ainda não tem uma legislação específica sobre os limites das contas pessoais de autoridades públicas nas redes sociais. No dia 30 de dezembro do ano passado, a pedido do ministro Kassio Nunes Marques, nomeado por Bolsonaro, o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou a conclusão do julgamento de uma das ações que discute se o presidente pode mesmo impedir seguidores já que usa o twitter para divulgar ações do executivo federal.


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