Desinfodemia: em Manaus pacientes graves tiveram acesso a tratamento precoce

Redação Portal IMPRENSA | 15/01/2021 18:03
Desde que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, atribuiu a falta de "tratamento precoce” ao colapso no atendimento médico em Manaus, foram publicados nos veículos de imprensa reportagens e depoimentos de profissionais de saúde desmentindo essa narrativa e comprovando que as pessoas que estão morrendo por lá tiveram, sim, acesso aos medicamentos sem comprovação científica indicados como tratamento precoce à covid-19 pelo Ministério da Saúde. 

Em vídeo publicado em seu Instagram nesta sexta (15), Anfremon Neto, coordenador da UTI do Hospital Getúlio Vargas, em Manaus, afirmou que todos os cerca de 50 pacientes que ele atende diariamente fizeram o tratamento precoce recomendado pelo Ministério da Saúde.
Crédito:Reprodução instagram
Anfemon Neto, coordenador de UTI em Manaus: tragédia não se deve a falta de tratamento precoce

"(Os pacientes) sabem, já compram, fazem estoque em casa e começam a tomar sozinhos. Então, gente, quem for ver esse vídeo: não é falta de tratamento precoce. Isso é sacanagem com a gente que trabalha sério aqui. Dizer que o que tá acontecendo aqui é falta de tratamento precoce".

UBS Augias Gadelha
Reportagem de Leanderson Lima, publicada no dia 13 pela Amazônia Real, revelou que na Unidade Básica de Saúde (UBS) Augias Gadelha, localizada no bairro Cidade Nova, na zona norte de Manaus, os médicos da Prefeitura vêm prescrevendo para todos com sintomas gripais a ingestão de dois comprimidos de ivermectina em dose única, além de azitromicina (1comprimido uma vez ao dia), paracetamol (1 comprimido ao dia em caso de febre), vitamina C e zinco. 

Ouvido por Lima, o epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz, observou que receitar e doar esses remédios à população, como a Prefeitura de Manaus e muitas outras do país fazem seguindo os conselhos do Ministério da Saúde, é crime em virtude da inexistência de evidência científica que ateste a eficácia das drogas. 

Na praia tomando cerveja
Ao programa de Datena, na Band, Bolsonaro repetiu nesta sexta (15) a versão de que o STF proibiu o governo de trabalhar na pandemia. "Eu fui impedido pelo Supremo Tribunal Federal de fazer qualquer ação de combate ao coronavírus em estados e municípios. Eu tinha que estar na praia a uma hora dessas [...] tomando uma cerveja."

Porém, não faltam juristas afirmando que o Supremo jamais impediu Bolsonaro de agir. Apenas exigiu que as decisões do governo federal de combate à pandemia tenham fundamento científico. Também instrui o governo federal a exercer um papel de coordenação das ações de estados e municípios, sem com isso atropelá-los.