"Os pingos nos is" sobre invasão do Capitólio ganha alerta de conteúdo impróprio

Leandro Haberli | 07/01/2021 19:36

Apresentado por Vitor Brown, com comentários de Ana Paula Henkel, Guilherme Fiúza e Paulo Figueiredo, a edição do programa Os Pingos nos is, veiculada pela rádio Jovem Pan nesta quarta (6), foi alvo de críticas de jornalistas e recebeu do YouTube um alerta de "conteúdo impróprio ou ofensivo para alguns públicos". 


As críticas foram feitas devido à postura dos comentaristas, que repetiram a teoria de que as eleições americanas foram fraudadas e insinuaram a todo o momento que a invasão do Congresso Americano foi feita por infiltrados da extrema-esquerda. 

No Twitter, a jornalista Lúcia Guimarães chamou a comentarista Ana Paula Henkel de "mentecapta repulsiva" e questionou sua capacidade de informar o público brasileiro em função de sua condição de apoiadora extremada de Trump. 

Por sua vez, Antonio Tabet, fundador do canal MyNews, chamou a Jovem Pan de "Jovem Klan", fazendo uma alusão, recorrente nas mídias sociais, ao movimento supremacista branco dos EUA Ku Klux Kan. 
Crédito: Reprodução YouTube

A crítica de Guimarães se deveu à insinuação de Henkel de que a invasão do Capitólio teria sido feita por infiltrados da Antifa, o movimento autoproclamado antifascista, acusado de promover atos violentos e depredações. 

Por sua vez, o comentarista Paulo Figueiredo corroborou a retórica anti-imprensa de Trump e Bolsonaro, ao creditar a uma espécie de complô dos jornalistas contra a direita a invasão do Capitólio. 

"Eu gostaria de chamar atenção para a cobertura da imprensa. (...) Os jornais brasileiros só repetem o que sai na CNN. E qual a narrativa da CNN? A narrativa é: o Trump está causando essa invasão", disse Figueiredo, acrescentando que todos os indícios de fraude nas eleições presidenciais americanas foram "jogados pela imprensa para baixo do tapete". 

"No Brasil só tem a Jovem Pan falando sobre isso na grande imprensa. (...) Nos EUA, a própria FoxNews, que era alinhada aos conservadores, resolveu mudar a linha editorial dela", reclamou.  

A postura extremista da Jovem Pan se acentuou no início de 2020, com a saída de Felipe Moura Brasil, hoje ferrenho crítico de Trump e Bolsonaro, do cargo diretor de jornalismo da emissora.