Países sem guerra lideram número de assassinatos de jornalistas no mundo em 2020

Redação Portal IMPRENSA | 30/12/2020 11:07

Dados da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) divulgados esta semana mostram que dezenas de jornalistas foram assassinados pelo mundo em 2020. A maior parte das mortes ocorreu em países sem guerra e foi motivada pela ação de grupos políticos ou facções criminosas.

Crédito:RSF

De acordo com a RSF, foram 50 mortes de jornalistas relacionadas ao exercício da profissão, registradas entre 1º de janeiro e 15 de dezembro de 2020. O número é semelhante a 2019 (53 mortos), mas pode significar uma tendência de aumento porque menos jornalistas realizaram trabalho de campo este ano por causa da pandemia de covid-19.


Outro aspecto que diferencia 2020 de anos anteriores são os locais onde ocorreram os crimes. Em 2016, 58% das mortes na mídia ocorreram em zonas de guerra. Agora, apenas 32% das fatalidades ocorrem em países devastados pela guerra, como a Síria ou o Iêmen, ou em países com conflitos de baixa ou média intensidade, como Afeganistão e Iraque.


Este ano, 68% (mais de dois terços) ocorreram em países “em paz”, sobretudo México (oito jornalistas mortos), Índia (4), Filipinas (3) e Honduras (3).


A situação do México é particularmente preocupante. Lá, o fortalecimento dos cartéis tem minado a segurança dos jornalistas para realizarem seu trabalho. Os crimes contra os profissionais de imprensa no país têm características que o RSF classificou como “bárbaras”.


Julio Valdivia Rodríguez, repórter do jornal El Mundo , foi encontrado decapitado no estado de Veracruz, enquanto Víctor Fernando Álvarez Chávez, editor do site de notícias local Punto x Punto Noticias, foi cortado em pedaços no oeste da cidade de Acapulco.


Os principais perigos para a profissão são a cobertura de casos de corrupção local ou uso indevido de fundos públicos (10 jornalistas mortos em 2020) ou investigações sobre as atividades do crime organizado (quatro mortos). 


Índice de mortes volta ao patamar da década de 1990


A Federação Internacional de Jornalistas contabilizou mais mortes do que o RSF em 2020, um total de 60 assassinatos. No entanto, a entidade não deixou claro se eles estão diretamente ligados ao exercício da profissão.


De acordo com os registros da FIJ, o número atual de assassinatos de profissionais da mídia está nos mesmos níveis de 1990, quando a Federação começou a publicar relatórios anuais sobre o tema. Eles mostram picos de mortalidade em meados dos anos noventa e meados dos anos 2000.


Um dos casos que a FIJ destacou, que representa o enfraquecimento da liberdade de expressão e de imprensa no mundo, foi o da jornalista russa Irina Slavina. A editora da Koza Press ateou fogo a si mesma na cidade de Nizhni-Novgorod para protestar contra a campanha de intimidação e assédio para silenciá-la. Ela apontou as autoridades como responsáveis por sua ação.


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