Ano termina com passaralho no Estadão e Globo e dança das cadeiras no Valor

Deborah Freire | 18/12/2020 11:29

O jornal Valor Econômico está realizando reformulações em sua equipe e deve promover mais mudanças na redação até pelo menos janeiro do ano que vem, por conta da aposentadoria de alguns jornalistas veteranos.

Crédito:Agência Senado

A informação foi parcialmente confirmada ao Portal IMPRENSA pela diretora de redação do Valor, Vera Brandimarte. Ela que seria uma das jornalistas a deixar a função, afirmou que “algumas definições foram tomadas, mas vamos esperar porque ainda tem muita coisa a ser acertada. Há muita coisa que não fechamos. Assim que fecharmos, faremos a divulgação. Acredito que em janeiro”.


As reformulações serão suspensas temporariamente por conta do período de recesso, que já começou na redação, com o revezamento de profissionais por conta das festas de fim de ano, segundo Brandimarte. A data da divulgação do resultado da “dança das cadeiras” no Valor ainda será definida junto ao diretor geral, Frederic Zoghaib Kachar.


Entre algumas das alterações previstas e não confirmadas estariam a ida de Sergio Lamucci da Editoria de Brasil para a Editoria Executiva; Cibelle Bouças deixaria de ser repórter em comércio e serviços para ser correspondente em Belo Horizonte; Cristiano Romero deixaria de ser editor-executivo em São Paulo para exercer a mesma função em Brasília; Zínia Baeta, deixaria a Editoria de Legislação e Tributos para a Editoria-executiva.


E ainda: Robinson Borges pode passar de editor de cultura a editor-executivo; Marcos de Moura pode deixar de ser correspondente nacional em Belo Horizonte para ser editor de Brasil; e os editores-executivos Célia de Gouvêa Franco e  Pedro Cafardo se aposentariam. A conferir.


Vera Brandimarte, atual diretora de Redação, também deixaria o cargo para dar lugar a Fernanda Delmas, um dos principais nomes de O Globo no momento.


Passaralho na Editora Globo


Reformulações também ocorreram nas redações de jornais da Editora Globo. No dia 15 de dezembro, quase 20 profissionais foram demitidos, entre jornalistas – a maioria – e funcionários administrativos.


Deixaram o grupo: Gustavo Goulart (Rio), Bruno Calixto (RioShow), Célia Costa (Rio), Helena Aragão (Segundo Caderno), Fátima Sá (Segundo Caderno), Jorge William (fotografia BSB), Sérgio Luz (RioShow), Flávio Freire (SP), Silvia Amorim (SP), Cristina Azevedo (Mundo) e Luciano Garrido (Rio/Extra).


A relação segue com Eduardo Campos (Economia/BSB), Celso Oliveira (Fechamento/Extra), Jason Vogel (Economia), Maria Elisa (Rio), Ramona Ordoñez (Economia) e no setor administrativo Felipe Gomes (CCR) e Lucieni Varella (secretária).


Os sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e de São Paulo (SJSP) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) repudiaram as demissões às vésperas do Natal.


“Isso em meio a uma pandemia na qual o trabalho dos/as jornalistas teve um papel fundamental para a população e garantiu a sustentação das empresas de comunicação, especialmente com o aumento de audiência na internet. Mais uma vez, os/as trabalhadores/as pagam o preço por uma gestão empresarial que privilegia o resultado financeiro imediato em prejuízo ao jornalismo, mesmo após uma série de medidas do governo que garantiram compensações para os empresários em caso de reduções salariais e suspensão de contratos”, disseram as entidades em nota.


Passaralho no Estadão


No Estadão, a demissão de Luiz Carlos Merten, aos 75 anos, da editoria de Cultura, foi a que mais chamou atenção entre os colegas jornalistas. Merten tinha 31 anos de empresa e 20 de blog, onde escreveu sobre o seu desligamento nessa quinta (17).


Mas as demissões não pararam nele: entre jornalistas e profissionais de outros setores, o número passou de dez esta semana, deixando um clima de alerta entre os que ficaram.


Vera Magalhães, editora e colunista, também deixou o Estadão, mas porque  assinou com o Grupo Globo, mesmo durante a crise e a onda de desligamentos por lá.


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