Com mais um assassinato em 2020, México é o país que mais mata jornalistas na América

Redação Portal IMPRENSA | 15/12/2020 12:36

No dia 10 de dezembro de 2020, Dia Internacional dos Direitos Humanos, a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) lançou o Livro Branco sobre Jornalismo, em que relatava o assassinato de 2.658 profissionais de imprensa desde 1990, sendo 42 deles em 2020.

Crédito:Reprodução / FIJ

O documento é um alerta a governos e autoridades sobre a violência contra jornalistas no mundo, mas não evitou que novos casos ocorressem antes do fim do ano.


A violência, crescente contra profissionais da área, especialmente em países com governos ditatoriais e/ou em guerra, fez mais um vítima, mas dessa vez em um país republicano, na América Latina. 


O México vem despontando como o segundo país que mais mata jornalistas no mundo e o primeiro na América, sendo 12 só este ano segundo dados da FIJ, seis deles com possível relação com o exercício da profissão, conforme aponta a organização Artículo 19.


A vítima mais recente foi o fotojornalista mexicano Jaime Daniel Castaño Zacarías, assassinado no dia 10, em Jerez, no estado de Zacatecas, após cobrir a descoberta de dois corpos em via pública. As mortes foram resultado de um confronto entre os cartéis, que estão entre os principais responsáveis pelo assassinato de profissionais de imprensa no país.


A FIJ ressaltou que a situação dos jornalistas no México é alarmante e representa, como já alertou em seu Livro Branco, uma ameaça ao Estado de Direito e à democracia.


De acordo com os registros da Federação, 104 jornalistas foram mortos no México desde 2010, incluindo 12 assassinatos em 2020. A grande maioria permanece sem solução.


Crédito:Artículo 19

Segundo a organização independente de liberdade de expressão, Artículo 19, dos assassinatos que vitimaram jornalistas no país este ano, ao menos seis têm uma possível relação com o exercício da profissão.


As vítimas foram:


Maria Elena Ferral, do Diário de Xalapa e Quinto Poder, assassinada em 30 de março;


Jorge Armenta Ávalos, do Medios Obson, morto em 16 de maio;


Pablo Morrugares Parraguirre, do PM Notícias, morto no dia 2 de agosto;


Julio Valdivia, do El Mundo de Córdoba, assassinado em 3 de setembro;


Israel Vázquez Rangel, do El Salmantino, morto em 9 de novembro, e


Jaime Castaño Zacarías, do Prensa Libre MX, morto no dia 10 de dezembro.


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