Levantamento de sindicatos revela demissão de 61 jornalistas no Paraná em 2020

Redação Portal IMPRENSA | 04/12/2020 11:03

Um levantamento feito pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) e o Sindicato do Norte do Paraná (Sindijor Norte) revelou que 61 jornalistas foram demitidos só este ano no estado. A maioria dos desligamentos ocorreu durante a pandemia de covid-19 e atingiu as profissionais mulheres.

Crédito:Agência Brasil

O maior número de demissões foi praticado pelo Grupo Paranaense de Comunicação, onde 21 jornalistas foram demitidos. O GRPCom é formado pelos jornais Gazeta do Povo e Tribuna, rádios 98FM e Mundo Livre FM e pela RPC, com oito emissoras afiliadas à Rede Globo.


O segundo no ranking de demissões foi o Grupo Massa, com TV afiliada ao SBT, onde 15 profissionais foram cortados de seus quadros.


Veja a lista completa de demissões por empresa:


-GRPCom 21


-Grupo Massa 15


-TV Icaraí 11


-Grupo RIC 03


-Rádio CBN 02


-Band 02


-Impressos e portais 02


-Assessorias 02


-Outras rádios 03


O maior volume de desligamentos se deu no interior do Paraná, onde foram registrados 34 cortes, contra 27 na Capital. A média é de cinco trabalhadores dispensados por mês.


O número de mulheres demitidas foi maior do que o de homens, tanto no interior quanto na capital: elas sofreram 37 demissões contra 24 entre eles. Os dados confirmam a tendência apontada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC) realizada no início da quarentena, quando sete milhões de mulheres deixaram o mercado de trabalho – por terem sido demitidas ou por terem se desligado para cuidar de filhos em idade escolar e/ou de outros familiares.


O levantamento mostra apenas os casos comunicados pelos próprios jornalistas ou aqueles que os sindicatos apuraram por meio de denúncias levadas ao MPT. Por isso, os números podem ser ainda maiores. Desde a reforma trabalhista as empresas não são mais obrigadas a comunicar os Sindicatos e o Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre demissões. 


“Em um ano marcado pelo enfrentamento à pandemia de covid-19 e em que o jornalismo foi reconhecido como atividade essencial e ainda, em que as empresas puderam cortar salários supostamente para preservar empregos, estes dados ilustram o desrespeito aos jornalistas paranaenses”, afirmam os sindicatos em nota.


Como ainda existem profissionais com acordos para redução de salários e jornada vigentes, os sindicatos monitoram o risco de mais demissões. “Nós estamos atentos e não vamos tolerar que mais prejuízos sejam imputados à categoria que, em plena pandemia, manteve-se comprometida e em atividade, mesmo com salários cortados e sem reajuste”, declara o diretor-presidente do SindijorPR, Gustavo Henrique Vidal.


A presidente do Sindijor Norte, Ticianna Mujalli, também lembra que parte dos profissionais continuou trabalhando mesmo com o risco de contrair covid-19. “Muitos jornalistas que mantiveram a atividade presencial procuraram os sindicatos para denunciar as condições de trabalho. Em boa parte das situações, as empresas só adotaram as medidas necessárias após a intervenção dos sindicatos”, observa.


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