Relatório sobre "detratores" corrobora críticas contra autoritarismo do governo

Redação Portal IMPRENSA | 01/12/2020 18:42
Reportagem do jornalista e colunista do UOL Rubens Valente, publicada nesta terça (1), revela que a empresa BR+ Comunicação elaborou a pedido do governo federal o levantamento "Mapa de influenciadores", que analisou postagens do mês de maio de 2020 sobre o Ministério da Economia e o ministro Paulo Guedes. 

O objetivo do trabalho seria orientar o governo e o Ministério sobre como lidar com jornalistas e formadores de opinião. O relatório separou os jornalistas e influenciadores em três grupos: "detratores", "neutros informativos" e "favoráveis". 
Crédito:Eraldo Peres/reprodução IstoÉ
Relatório sobre detratores do governo foi elaborado a pedido do Ministério da Economia e foca em críticas a Paulo Guedes

Entre os detratores há 51 nomes, incluindo o próprio Rubens Valente, além de Vera Magalhães, Guga Chacra, Xico Sá, Hildegard Angel, Cynara Menezes, Luis Nassif, Palmério Dória, Flávio V. M. Costa (editor do UOL), Rachel Sheherazade e Menon (colunista do UOL).

Os "favoráveis" da lista são 23 e incluem Milton Neves, Rodrigo Constantino e Guilherme Fiuza. Milton Neves é descrito como "simpatizante do governo Bolsonaro". Por sua vez, Guilherme Fiuza é descrito como jornalista que "fez publicações de defesa ao governo e já se referiu ao ministro Paulo Guedes como 'economista respeitado mundialmente e líder da agenda de reformas'". 

Críticas
Por outro lado, Guga Chacra é descrito como jornalista que "já se manifestou contra falas ou participações do ministro Paulo Guedes em agenda oficial: criticou o ministro quando falou da primeira-dama da França, Brigitte Macron; e destacou fala de ex-sócio de Guedes sobre reunião ministerial que ganhou repercussão após denúncias de Sergio Moro." 

Sobre sua presença na listra de "detratores", Guga Chacra comparou no Twitter o relatório feito a pedido do Ministério da Economia a "listas elaboradas por regimes da Alemanha Oriental, China e Arábia Saudita". "Inacreditável que isso exista no Brasil em 2021", tuitou. 

Também no Twitter, Xico Sá declarou: "pior é saber q torraram R$ 2,7 milhões nesse serviço sujo digno de Ditaduras!" 

Já o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) afirmou que "essa investida do governo contra jornalistas e influenciadores mostra o autoritarismo e o desprezo de Bolsonaro pela democracia e pela liberdade. É inadmissível que, mais uma vez, o governo use recursos públicos para monitorar opositores."