Pesquisas revelam crescimento de ataques a mulheres na política e de campanha sobre fraude nas eleições

Redação Portal IMPRENSA | 30/11/2020 12:33

Duas pesquisas realizadas a partir de informações compartilhadas nas redes sociais durante o período da campanha eleitoral de 2020 revelaram que entre as principais táticas de opositores de candidatos e candidatas com chance de ser eleitos está o uso da desqualificação das mulheres na política e de desinformação sobre supostas fraudes na eleição.

Crédito:Agência Brasil

A pesquisa MonitorA, da Revista AzMina com o InternetLab, revelou por exemplo que Manuela D’Ávila (PCdoB), que disputou a Prefeitura de Porto Alegre, foi a candidata brasileira que mais recebeu ofensas no Twitter e no Instagram durante os últimos dias da campanha.


No Twitter, ela foi alvo de 90,6% dos posts ofensivos no total de tuítes com maior engajamento que foram analisados. Marília Arraes (PT), candidata em Recife, ficou em segundo lugar, com 5%; Luiza Erundina (PSOL), candidata a vice-prefeita de São Paulo, em terceiro e Suely Vilela (PSB), candidata a prefeita por Ribeirão Preto, em quarto.



No Instagram, Manuela também liderou o ranking de ofensas, com 50,82% dos comentários, seguida de Paula Mascarenhas (PSDB – Pelotas/RS), Loreny (Cidadania – Taubaté/SP), Danielle Garcia (Cidadania – Aracaju/SE), e outras.



Os termos mais usados para ofender no Twitter foram: “comunista de merda”, “safada”, “boutique”, “lixo”, “mentirosa”, “abortista”, “bandida”, “vagabunda” e outros. No Instagram, as palavras se repetiram com poucas variações.


Até mesmo as apoiadoras das candidatas sofreram com xingamentos nas redes sociais. A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (REDE), após declarar apoio a Manuela, recebeu em dois dias ao menos 150 comentários ofensivos, uma média de 3 tuítes por hora. Ela foi chamada de “velha” e também de “feia” e “hipócrita”.


O mesmo aconteceu quando a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) declarou apoio a Manuela e a Marília Arraes. Em um dos comentários, um internauta escreveu: “Exemplo de fracasso das mulheres na política”.


Fraude nas eleições


A outra arma usada na internet contra o resultado das eleições foi a criação de uma campanha de desinformação sobre fraude no processo eleitoral.


O estudo Democracia Digital, uma iniciativa da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV DAPP), vem investigando a circulação de conteúdos que incitam a crença na existência de fraude nas urnas e de manipulação eleitoral, no Brasil, distribuídos no Facebook e no YouTube desde o ano de 2014 até 2020.


Entre os resultados, a pesquisa mostrou que os posts e links sobre o assunto têm aumentado no Facebook e no YouTube.


A frequência de mensagens sobre desconfiança no sistema eleitoral foi exponencialmente superior em 2018, mas 2020 já desponta como o segundo ano com mais conteúdos.


Também se constatou que alguns dos links mais difundidos  se repetem em diferentes anos. O mais compartilhado foi publicado em 2016, mas teve maior engajamento em 2019. E há pelo menos um link que vem sendo compartilhado desde 2014.


Para os pesquisadores, “a ampla circulação de conteúdos perigosos, hiperpartidarizados e fake news no corpus examinado [...] sugere padrões de polarização, intolerância e desinformação na história recente do país”. 


Leia também:


Conheça alguns jornalistas que foram eleitos ou têm chances na disputa do segundo turno nas eleições municipais


Processos mais frequentes envolvendo candidatos às eleições são por improbidade administrativa