Ataques ao site do TSE e campanha para desqualificar eleições podem ter sido ações coordenadas

Redação Portal IMPRENSA | 16/11/2020 11:48

O ataque hacker sofrido pelo portal do Tribunal Superior Eleitoral, a divulgação de dados de seus servidores e a campanha nas redes sociais para levantar suspeita de fraude nas eleições desse domingo (15) podem ter sido ações coordenadas.

Crédito:Pexels


A suspeita é da SaferNet, organização de combate a crimes na internet, que este ano realizou uma parceria com o Ministério Público Federal para monitorar fraudes eleitorais na rede.


De acordo com informações do presidente da SaferNet, Thiago Tavares, e da Polícia Federal, obtidas pela Folha de S. Paulo, os dados dos servidores do TSE foram divulgados na manhã de domingo, mas eles foram obtidos em um ataque no dia 23 de outubro. Ou seja, teriam sido guardados para divulgação em data estratégica.


Ao mesmo tempo, hackers realizaram um ataque para tirar do ar o site do TSE e alguns serviços da Justiça Eleitoral. O TSE identificou e barrou o ataque. Ele identificou que os IPs que invadiram os sistemas seriam de Portugal ou coordenados por um cidadão português.


Além disso, o atraso na apuração dos votos, que segundo o TSE não teve relação com a invasão ao site e foi causado por problema técnico, deram combustível para a campanha de desqualificação do processo eleitoral brasileiro lançada ontem nas redes sociais.


Perfis bolsonaristas e de outros políticos divulgaram mensagens apontando para supostas fraudes eleitorais e falta de credibilidade do TSE.


No Twitter, um post da deputada Joice Hasselman recebeu o alerta “Essa reivindicação de fraude eleitoral é contestada.” Ela havia postado: “Fraude? Será? Tem todo o cheiro”.


O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, disse que a tentativa de ataque ao sistema da Justiça Eleitoral foi prontamente neutralizada pelo Tribunal e pelas operadoras de telefonia.


E o ministro da Justiça e da Segurança Pública, André Mendonça, informou que os órgãos de segurança, capitaneados pela Polícia Federal, estão trabalhando em total sintonia com a área de Tecnologia da Informação do TSE para identificar os responsáveis, e garantiu que não existe nenhum indicativo de prejuízo ao pleito eleitoral.


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