Glenn Greenwald pede demissão do The Intercept e publica em outro site texto vetado sobre Biden

Redação Portal IMPRENSA | 30/10/2020 08:16

Sob polêmica e troca de acusações relacionadas à campanha eleitoral para a Presidência dos Estados Unidos, o jornalista Glenn Greenwald pediu demissão nessa quinta (29) do The Intercept, do qual é co-fundador.

Crédito:Reprodução / Flickr


O site anunciou a saída de Greenwald por meio de um comunicado oficial publicado pela tarde, onde afirma que o jornalista renunciou ao cargo após uma falta de acordo “fundamental sobre o papel dos editores na produção de jornalismo”, ao não ser autorizado a publicar um artigo sobre Joe Biden, candidato democrata à Presidência.


O The Intercept acusa Glenn de tentar “reciclar as afirmações duvidosas de uma campanha política - a campanha Trump - e lavá-las como jornalismo”.


Glenn publicou um texto no site Substack, onde promete divulgar o artigo sobre Biden. Na manhã desta sexta, o artigo já estava  no ar. Clique para ler. Ele transcreveu uma troca de e-mails com os editores e também acusou o The Intercept de favorecer o opositor de Trump, mas disse que esse não foi o único nem o principal motivo para sua saída.


“A seguir estão as comunicações que recebi na semana passada com os editores do Intercept a respeito de meu artigo sobre Joe e Hunter Biden, que eles se recusaram a publicar, sem a remoção de todas as seções críticas ao candidato democrata à presidência, que eles favorecem de maneira uniforme e entusiasta”, escreveu.


O jornalista citou que de acordo com o contrato que possui com o The Intercept, nenhum de seus artigos é editado “a menos que apresente a possibilidade de responsabilidade legal ou relatório original complexo”. No Twitter, ele postou que vários jornalistas escreveram sobre muitos dos pontos que ele abordou no artigo.


No texto, ele também afirmou que “o The Intercept [hoje] é completamente irreconhecível” comparado com a visão original e “em vez de oferecer um local para a discordância, para vozes marginalizadas e para perspectivas desconhecidas, está rapidamente se tornando apenas mais um meio de comunicação com lealdades ideológicas e partidárias obrigatórias”.


Houve também espaço para agradecimentos, quando ele citou as reportagens que publicou no The Intercept Brasil. “O Intercept fez um ótimo trabalho. Seus líderes editoriais e gerentes do First Look apoiaram firmemente as reportagens difíceis e perigosas que fiz no ano passado com meus bravos jovens colegas do The Intercept Brasil para expor a corrupção nos mais altos escalões do governo Bolsonaro, e nos apoiaram enquanto suportávamos ameaças de morte e prisão", lembrou.


Segundo o The Intercept, no comunicado, para Glenn, “qualquer pessoa que discorde dele é corrupta e qualquer pessoa que pretenda editar suas palavras é um censor”. O site refutou as acusações de favorecimento a Biden citando publicações já realizadas sobre o candidato, e alegou que a “narrativa que Glenn sobre sua partida está repleta de distorções e imprecisões - todas destinadas a fazê-lo parecer uma vítima”.


O comunicado termina ressaltando que os editores respeitam Glenn Greenwald e que continuam orgulhosos do trabalho que realizaram com ele nos últimos seis anos, mas que “foi Glenn quem se desviou de suas raízes jornalísticas originais, não The Intercept”.


O jornalista disse no Twitter que os conflitos não afetam sua relação com o The Intercept Brasil. Ele cogita criar um novo meio de comunicação futuramente.


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