Associação internacional quer estimular cultura do “produto” nas redações jornalísticas

Redação Portal Imprensa | 22/10/2020 11:59

A associação internacional News Product Alliance (NPA), rede de apoio para gerentes de produtos dentro do jornalismo, criou uma pesquisa em seu site recém-lançado para ouvir dos leitores – e potenciais assinantes de notícias – o que eles querem ler.

Crédito:Pexels


Antes condenada nas redações, a união dos setores editorial e comercial tem se apresentado como uma solução necessária para a manutenção do jornalismo na era digital e, “vender notícias” de acordo com as necessidades do público é algo que a NPA pretende promover e estimular nas redações em todo o mundo.


“A NPA é uma rede de apoio e prática para gerentes de produtos no jornalismo e pensadores de produtos com o objetivo de um futuro mais sustentável e ético para a indústria jornalística”, define-se em comunicado de apresentação lançado em setembro.


“Não significa que o jornalista precise se tornar vendedor, mas determinadas posições precisam ser híbridas para conectar as partes dentro de uma organização”, disse ao  LatAm Journalism Review, Marco Túlio Pires, líder do Google News Lab no Brasil e integrante do comitê gestor interino da NPA. 


Os leitores interessados se inscrevem através do site da associação e, a partir dessa escuta, a NPA poderá definir os próximos passos da iniciativa.


A metodologia de gerenciamento de produtos ganhou destaque com empresas de tecnologia como o Google, mas é empregada em diversos setores da economia. Para o jornalismo, a associação quer oferecer treinamento, networking e desenvolvimento de carreira na área.


“As redações de maior sucesso hoje adotaram a estratégia de produto em sua cultura. À medida que essas práticas se expandem pela indústria de notícias, muitos jornalistas e profissionais de produto estão buscando apoio adicional para aprender e adotar essas habilidades”, disse Becca Aaronson, presidente do comitê gestor interino da organização e ex-chefe de produto da Chalkbeat e The Texas Tribune.


“Ao reunir um grupo diversificado de profissionais de produtos jornalísticos de todo o mundo, a News Product Alliance facilitará a criação das melhores práticas de produtos para organizações jornalísticas e expandirá as oportunidades de colaboração. Ao fazer isso, pretendemos ajudar pessoas de comunidades tradicionalmente marginalizadas a subir nos rankings das redações e a criar produtos jornalísticos que alcancem e atendam a públicos diversos com necessidades variadas”, disse Aaronson.


Luciana Cardoso, diretora digital do Estadão e membro do comitê gestor do NPA, acredita no potencial da iniciativa. “Ao incluir diferentes países e idiomas, ampliaremos nosso intercâmbio de conhecimentos e as carreiras individuais de produtos nas redações. Todos nós precisamos cada vez mais conhecer nosso público e criar produtos que atendam às suas necessidades, fortalecendo assim a entrega de conteúdo.”


Segundo Pires, um desafio da NPA ainda é a mudança de mentalidade. “Toda redação precisa focar no leitor, não aprendemos na escola de jornalismo como identificar as necessidades do usuário e transformamos soluções em produtos úteis que ele esteja disposto a pagar”.


Uma das primeiras iniciativas da NPA é um treinamento imersivo em gerência de produto para redações de pequeno porte localizadas nas Américas do Sul, Central e do Norte. O curso é feito através do Google News Initiative, News Catalyst e J+, da Faculdade de Pós-Graduação em Jornalismo Craig Newmark, da Universidade da Cidade de Nova York. As inscrições estão abertas até 11 de novembro.


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