Bolsonaro critica relatório da Fenaj e exalta corte publicitário contra imprensa "inimiga"

Redação Portal IMPRENSA | 16/10/2020 19:25
Jair Bolsonaro ironizou nesta quinta (15) o novo relatório divulgado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), sobre ataques do próprio presidente à imprensa.

No Twitter ele postou a matéria do Globo "Em nove meses, Bolsonaro cometeu 299 ataques ao jornalismo, diz relatório". Acima da reprodução da matéria, escreveu: "'Ataque' n° 300: Perderam a boquinha!"

A expressão "perderam a boquinha" faz referência ao corte promovido pelo governo Bolsonaro na verba federal de publicidade destinada à Globo.  

Em agosto, levantamento do TCU (Tribunal de Contas da União) revelou que a Globo teve participação nas verbas publicitárias do governo federal reduzida de 39% para 16%. O corte teria sido de quase 60% na comparação com o governo Michel Temer. O problema é que o trabalho também identificou falta de critério técnico na mudança. 

Apesar de suas audiências somadas serem menores do que a da Globo, Record e SBT foram agraciados com maiores fatias no bolo de publicidade estatal: a da Record teria subido de 31% para 43%l, enquanto a do SBT aumentou de 30% para 41%. Não por acaso, Edir Macedo e Silvio Santos, donos da Record e do SBT, são apoiadores de Bolsonaro, enquanto a Globo e seu jornalismo são vistos como "inimigos" pelo presidente.

Nos governos Lula e Dilma, não faltaram petistas mais radicais exigindo retaliação à Globo e mídias não alinhadas na política de distribuição de verbas publicitárias federais. Ao que consta, nenhum dos dois presidentes cedeu à pressão. Pelo menos não de forma tão escancarada.  

O governo Bolsonaro, porém, nega qualquer perseguição à empresa da família Marinho, e vem alegando que a audiência não foi o único critério na redefinição da distribuição da verba publicitária destinada à empresa. Teriam sido considerados também o perfil do público e o custo das inserções e espaços publicitários. 

Não faltam indícios, porém, de que alinhamento político é o verdadeiro critério adotado. Basta dizer que, no levantamento de agosto, o TCU também identificou destinação de dinheiro suspeita para TVs de igrejas que apoiaram Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018.