Como viver em um mundo sem casa é tema do novo livro do jornalista Leão Serva

Kassia Nobre | 16/10/2020 14:52
O jornalista e especialista em mobilidade urbana, Leão Serva, e o ativista Alexandre Frankel acabam de lançar o livro “Como viver em um mundo sem casa”. A obra faz parte de uma coletânea que tem a trilogia “Como viver em SP sem carro”.

O livro reúne relatos de personagens famosos que vivem sem compromisso de imóvel próprio ou aluguel fixo em vários locais do mundo. Além disso, o livro também traz estudos de pesquisadores internacionais sobre tendências de novas formas de morar no mundo, principalmente em um mundo pós-pandemia.

“Nós nos debruçamos sobre as grandes cidades, estudamos com o intuito de melhorar de alguma maneira: trazer reconhecimento e reflexões que possam melhorar a vida nas cidades”, afirma Serva.

O Portal Imprensa conversou com o jornalista sobre a pesquisa que resultou no livro e sobre o próximo lançamento da coletânea. 

Crédito:Divulgação Assessoria 

Portal Imprensa - Gostaria que você contasse sobre o processo de criação da obra “Como viver em um mundo sem casa”. Como surgiu a ideia do livro?
Leão Serva - A ideia do processo de criação e como surgiu a ideia do livro “Como viver um mundo sem casa”, partiu do nosso constante acompanhamento das tendências principais internacionais que estão hoje acontecendo nas grandes cidades. Nós nos debruçamos sobre as grandes cidades, estudamos com o intuito de melhorar de alguma maneira: trazer reconhecimento e reflexões que possam melhorar a vida nas cidades.

Esse é o foco dos trabalhos que nós fazemos e ao observar mesmo antes da pandemia que haviam tendências de hábitos de moradia, principalmente nas gerações mais novas que cada vez mais abrem mão de possuir bens em favor de ter experiências, pois essa é a tônica da Geração Millenium, a gente percebeu que havia uma oportunidade de mostrar uma revolução que está acontecendo na moradia no mundo. Revolução essa que foi acelerada com a COVID. Nós, antes mesmo da COVID já estávamos desenvolvendo esse projeto que foi acelerado, com a questão do home office e algumas pessoas gostarem de morar mais perto do trabalho e da escola, na pandemia isso foi acelerado. As pessoas respondem mais positivamente a essa mudança.

Portal Imprensa - O livro faz parte de uma coletânea. Há previsão de novas obras?
Leão Serva - Sim, o livro faz parte de uma coletânea que iniciou focada em um dos grandes problemas das Metrópoles mundiais das cidades que é a mobilidade com os automóveis, buscando alternativas, as dificuldades cada vez maiores. E agora no tema da mobilidade imobiliária pretendemos sim lançar em 2021 um segundo livro ainda mais internacional que o primeiro, buscando ainda mais conhecimentos. O primeiro livro já é muito rico, traz profissionais de fora, professores de faculdades importantes como a Columbia e o MTC, traz também o maior especialista em Coliving no mundo, que é o francês Gui Perdrix e pretendemos no ano que vem lançar o segundo livro analisando como viver em um mundo sem casa e a geração sem casa.

Portal Imprensa - Gostaria que você falasse um pouco sobre a repercussão do livro “Como viver em SP sem carro”.
Leão Serva - O livro “Como viver em SP sem carro” na verdade constituiu uma série com três livros em 2012, 2013 e 2014 com diferentes personagens a cada livro com pesquisa sobre mobilidade pública, se transformou em uma comunidade de Facebook com mais de 180 mil seguidores. Foi premiada no South by Southwest levada para ser apresentada como um case pela própria FIAT, para nós é muito interessante ter sido levada por uma empresa de automóvel para discutir o futuro sem automóvel, pelo menos no formato tradicional da mobilidade, as companhias de automóvel estão preocupadas com isso também.

Então foi uma repercussão na mídia muito grande, os lançamentos dos livros foram também muito festejados com presença de autoridades, de membros da mobilidade pública e dos movimentos de mobilidade pública de ciclistas. Muito interessante também a participação de pessoas da sociedade que queriam dar o seu depoimento como: Raí, Rita Lobo, Milton Jung, o nosso querido e saudoso Gilberto Dimenstein. Então nós tivemos a participação de pessoas comuns, de celebridades, autoridades da área de mobilidade, tornando um projeto muito inovador. Ainda não houve na nossa opinião nenhum outro projeto que ocupou esse espaço, por isso nós entendemos que é um projeto que deixou um legado muito interessante. 

Portal Imprensa - O livro reúne relatos de personagens famosos que vivem sem compromisso de imóvel próprio fixo em vários locais do mundo. Você poderia citar alguns desses personagens? Você destacaria alguma história que mais chamou a sua atenção?
Leão Serva - Entre os personagens do novo livro, pessoas que não praticam a habitação tradicional e por isso nós chamamos essas pessoas de geração sem casa, porque elas utilizam o conceito da casa de uma maneira nova e inovadora e essas são as novas tendências que nós estamos observando no mundo todo, tem pessoas interessantíssimas. Nós temos por exemplo o Pierre Schurmann, um dos membros da célebre família Schurmann e hoje ele vive numa ponte aérea entre a Bahia onde ele tem a casa dele e São Paulo, onde ele faz negócios e viaja também pelo mundo e ele, claro que teve essa vivência muito forte e intensa na sua infância com sua família viajando pelo mundo. Mas hoje ele se transformou num homem de negócios, um investidor, só que ele demonstra mesmo antes da pandemia que é possível morar em qualquer lugar, como no caso dele na Bahia onde ele mora, e fazer negócios em São Paulo, fazer negócios mundo afora, é um personagem realmente muito interessante.

Portal Imprensa - Quem é o público-alvo da obra? Quem você gostaria que lesse o livro?
Leão Serva - O público-alvo é bastante amplo porque nós na pesquisa que fizemos com 800 questionários agora em fevereiro de 2020 e agosto 2020, nós percebemos para nossa surpresa que a geração sem casa ela é muito diversa. Embora nós tenhamos 82% dos mais jovens dizendo que querem uma habitação não tradicional, um serviço de habitação e não a posse de um imóvel, nós temos esse dado impressionante na pesquisa, as outras gerações mais velhas também na sua maioria, incluindo os acima de 60 anos de idade, na maioria também já começam a declarar que preferem uma moradia como serviço, moderna do que ficar presos num financiamento de imóveis durante 30 anos que é o padrão no Brasil.

Então o público para nós são os inovadores, principalmente aqueles que vêm também depois seguindo essas pessoas, isso é normal. Tem aqueles que primeiro ditam essa tendência e atrás vem a sociedade como todo, mas esses inovadores que nós chamamos de geração sem casa, são esses que primeiro estão como na questão da mobilidade e do automóvel, são os primeiros que abandonaram o automóvel e agora nós estamos vendo também essas pessoas  de diferentes classes sociais, de diferentes cidades, os jovens lideram mas a maioria em todas as faixas etárias, em todas as faixas de estudo e também de renda, esse para nós é o público desse projeto. São as pessoas que estão abraçando essa causa de ganhar liberdade, de ganhar mobilidade, de viver e trabalhar com muito mais flexibilidade por países, cidades e diferentes estados, praia, a serra, a cidade. Pessoas poderem ter experiências, eles valorizam muito ter experiências, os jovens principalmente, experiências diversas. É esse público que a gente espera que seja o público do livro.