No Brasil predisposição para assinar notícias é maior do que no Reino Unido e Alemanha, aponta pesquisa

Deborah Freire | 13/10/2020 11:45

Uma pesquisa sobre os hábitos de consumo de notícias em países da América Latina, divulgada no mês passado, mostrou que 13% dos entrevistados possuem ao menos uma assinatura paga. No Brasil, esse número é de 16%.

Crédito:Pexels

Apesar de parecer um percentual modesto, o índice mostra que a predisposição a pagar pelas notícias por aqui é maior que em outros países, incluindo mercados estabelecidos como o Reino Unido (8%) e Alemanha (10%), além de não estar muito longe dos números dos Estados Unidos (20%).


O estudo “Consumo e pagamento de notícias digitais: oportunidades e desafios do modelo de assinaturas na América Latina” foi encomendado pelo Luminate Group, uma organização de apoio a empreendedores em todo o mundo. 


O objetivo é fornecer dados a meios de comunicação que vêm experimentando novas formas de receita a partir do conhecimento sobre quais as preferências dos consumidores.


Foram entrevistados em julho leitores na Argentina, Brasil, Colombia e México, para saber se eles estão interessados em pagar pelo acesso aos sites e quais são os fatores de decisão e barreiras para as assinaturas.


Na fase qualitativa da pesquisa, foram feitas 80 entrevistas (20 por país) entre pessoas que leem noticias digitais ao menos duas vezes por semana, sendo assinantes e não assinantes. E na fase quantitativa, foram realizadas 8.570 entrevistas on-line com pessoas que leem notícias na internet ao menos uma vez por semana. No Brasil, responderam 2047 internautas.


Os veículos brasileiros que possuem os maiores números de assinaturas são Uol, Folha de São Paulo, Veja e Globo News, cada um com 3% de assinantes. Já os mais conhecidos e mais acessados pelos entrevistados são G1, Uol e R7.


Consumo de notícias aumentou na pandemia


As entrevistas mostraram que, durante a pandemia de covid, 57% dos leitores aumentaram o consumo de notícias. Um total de 90% acessa sites jornalísticos ou outros meios digitais ao menos duas vezes por semana, e 78% acessam ao menos uma vez por dia.


Para os consumidores com assinaturas, um dos fatores mais importantes ao aceitar pagar é a possibilidade de obter conteúdo de alta qualidade (36%) e a credibilidade do meio de comunicação como fonte de informação séria e confiável (34%).


A pesquisa identificou ainda que para todos os leitores, incluindo os que não pagam, a independência dos meios de comunicação está entre os fatores mais importantes para justificar a assinatura.


Motivos para ser assinante


Entre os argumentos usados pelos internautas como justificativa para ser assinante de notícias estão: qualidade do conteúdo; ter informação séria e confiável; jornalistas de renome e trajetória; poder acessar todos os conteúdos sem restrição; conteúdo especial aos assinantes; ter benefícios e descontos.


O pagamento mensal é o que mais atrai os entrevistados, comparado com o anual, mas os benefícios de uma assinatura mais longa também geram interesse. Os internautas também demonstraram disposição para fazer doações para apoiar sites de notícias que lhes agradam, em troca de acesso por determinado período.


O valor que os brasileiros disseram estar dispostos a pagar é de R$ 20 a R$ 40. Até R$ 20, demonstraram interesse 50% dos entrevistados. Passando de R$ 50, a disposição cai e chega a quase zero.


Por fim, a pesquisa lista boas práticas para gerar assinaturas, como aprofundar a cobertura de temas importantes, proporcionar informações em acordo com as necessidades dos leitores e relevantes para a vida cotidiana, enfatizar a transparência da apuração, ter uma interface livre de anúncios comerciais e oferecer “preço justo”. “Para os potenciais assinantes, é fundamental que o meio de comunicação seja independente, tanto em conteúdo como em relação às fontes de financiamento”, afirma a pesquisa.


Para ver o estudo completo em espanhol, clique aqui. Também é possível acessar os dados relativos somente ao Brasil, neste link.


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