Dicas para uma cobertura eficaz das eleições 2020, segundo a Rede Global de Jornalismo Investigativo

Redação Portal IMPRENSA | 13/10/2020 09:59
A Rede Global de Jornalismo Investigativo realizou um fórum na web voltado para jornalistas nas eleições nos Estados Unidos.

Durante o evento, foram compartilhadas experiências e conselhos relacionados à cobertura efetiva das eleições nos Estados Unidos, que podem ser contextualizados em eleições ocorrendo em outros países, inclusive no Brasil.
 
Os painelistas foram: Kat Stafford, jornalista que cobre raça e etnia para a The Associated Press; Sarah Blaskey, repórter investigativa e especialista em dados do Miami Herald; e David Cay Johnston, jornalista investigativo especializado em economia e assuntos tributários, fundador do DCReport.org e vencedor do Prêmio Pulitzer. 

Confira algumas das dicas mais importantes da conversa: 

Crédito:TSE



Escreva histórias sobre as eleições de diferentes ângulos 
Existem histórias que os meios de comunicação sempre cobrem em época eleitoral. Elas são sobre o processo de votação propriamente dito, para que a comunidade saiba como e onde encontrar os locais de votação.

Sarah Blaskey, do The Miami Herald, mencionou que “há histórias que não estão sendo abordadas de forma significativa, por exemplo, as campanhas de candidatos locais, especialmente no estado da Flórida”. A jornalista observou que alguns políticos locais estão copiando as estratégias do presidente Trump, inclusive divulgando dados falsos em suas campanhas, com base em teorias da conspiração.

Outra abordagem para cobrir as eleições é a identidade racial. "Para mim, as questões raciais estão no centro dessas eleições", disse Kat, jornalista da The Associated Press. "No último debate pudemos ver que o presidente não condenou os grupos de supremacia branca." Nesse contexto, o repórter enfoca a desigualdade enfrentada pelas comunidades negras. 

Não disfarce a cobertura de grupos extremistas 
Diante dos fenômenos crescentes de grupos extremistas que incitam à violência, os jornalistas enfrentam múltiplos dilemas, por exemplo, como nomear os indivíduos e os atos violentos e racistas que praticam, sem se tornar um palestrante que os beneficie.

Kat, da Associated Press, disse que é importante reconhecer que existem grupos extremistas, mas o trabalho dos jornalistas é fornecer contexto. 

“Vamos pensar em quem damos uma plataforma quando escrevemos nossas histórias”, disse Kat. “Se eu escrever sobre um racista, dar o microfone às pessoas afetadas, essa seria a melhor forma de fazer uma reportagem sobre o assunto”. 

Conquiste a confiança dos leitores
O jornalista David acompanhou e escreveu sobre Donald Trump por mais de 30 anos. Ele disse que os partidários do presidente "têm dificuldade em acreditar no jornalismo". Por esse motivo, a estratégia de David em seu meio é usar fontes nomeadas e documentos oficiais para que os leitores possam corroborar as informações. 

O Miami Herald acaba de criar Just like you (em espanhol “Como tu”), que é um projeto interativo que mostra histórias relacionadas ao COVID-19 com base em quem é o leitor. Antes de iniciar a leitura, é solicitado ao público mais informações sobre idade, sexo e informações sobre o cargo. “Este é o futuro do jornalismo, jornalismo feito sob medida para você”, disse Sarah Blaskey, referindo-se a como construir confiança no público da mídia. 

Kat, da The Associated Press, afirmou que “temos que perceber que muitas pessoas não confiam na mídia. Para recuperar ou obter essa confiança, devemos ser transparentes de onde trazemos as informações, para que as pessoas entendam como e de onde vêm nossas histórias”.

Não seja orador da desinformação compartilhada pelos candidatos 
“Tenha muito cuidado com o que você lê e verifique todas as informações que você usa em seus artigos jornalísticos”, disse David do DCReport.org. É melhor que, se você estiver escrevendo uma nota e tiver uma dúvida, possa expressá-la aos seus leitores, em vez de tratar as informações não verificadas como se fossem.