Parlamentares bolsonaristas usam judiciário para perseguir jornalistas, diz Abraji

Redação Portal IMPRENSA | 07/10/2020 17:18
Em levantamento publicado nesta quarta (7), sobre processos contra jornalistas e veículos de comuniação movidos por políticos da base governista, a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigavo) chegou à conclusão de que o assédio judicial contra a imprensa se incorporou ao método de atuação de parlamentares bolsonaristas.

Somente este ano a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) pediu na justiça, no mínimo seis vezes, a retirada de conteúdo de reportagens, além de ter entrado com cinco processos na esfera criminal contra profissionais de imprensa, veículos de comunicação e usuários de redes sociais. 
Crédito:Sérgio Lima/Poder360
Deputada federal Bia Kicis está entre parlamentares bolsonaristas que mais processaram jornalistas e veículos de imprensa
A equipe da Abraji também levantou 46 processos contra jornalistas e veículos de imprensa movidos por outros sete políticos da base governista em 2020. Só o ex-ministro Abraham Weintraub soma 11 processos, contra oito do deputado estadual Gil Diniz.

Na visão de Letícia Kleim, assessora jurídica da Abraji, tal quadro mostra de forma inequívoca a consolidação do assédio judicial contra a imprensa como método da base de apoio ao governo Bolsonaro, que usa "o poder judiciário para perseguir e intimar, especialmente defensores de direitos humanos”.

Esclarecimentos na esfera criminal
Kicis processou as revistas Veja, Época e Crusoé, o portal UOL e a agência de checagem Aos Fatos. Além disso, o jornalista Guga Noblat e o comunicador Fernando Souza, da página Realidade do Povo, chegaram a ser intimados, a pedido da parlamentar, a prestar esclarecimentos na esfera criminal por postagens em redes sociais.

Contra a Época, a parlamentar pediu indenização por danos morais de R$ 38 mil, além da exclusão das redes sociais da reportagem “Deputada bolsonarista inflou fakes sobre fraudes na contagem de mortos por coronavírus”, publicada em 3 de abril último.

Por sua vez, Guga Noblat foi intimado a prestar esclarecimentos devido a um tuíte afirmando que a parlamentar defendeu intervenção militar durante uma sessão virtual do Congresso realizada em maio últmo.

Já o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub nmoveu um processo criminal contra a jornalista Luísa Martins, do Valor Econômico, por injúria e difamação. O ex-ministro pede uma indenização de R$ 5 mil. Weintraub move outra ação penal - além de nove processos na esfera cível - contra jornalistas.

Na mesma toada, o deputado estadual Gil Diniz, eleito pelo PSL de São Paulo e hoje sem partido, acionou a Justiça contra jornalistas da Istoé, do Estadão e dos sites Diário do Centro do Mundo (DCM) e Brasil 247.