Federação internacional lança guia com diretrizes para regulamentação do teletrabalho entre jornalistas

Redação Portal IMPRENSA | 07/10/2020 12:03

A necessidade de isolamento de profissionais em todo o mundo por conta da pandemia de coronavírus transformou a sala de casa de muitos jornalistas em redações improvisadas. Essa mudança repentina gerou problemas que até agora não foram debatidos e resolvidos pelas empresas de mídia, por isso são tema de uma campanha da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ).

Crédito:Pexels


A ação em referência ao Decent Work Day (Dia do Trabalho Decente), comemorado em 07 de outubro, lançou um guia de diretrizes para serem discutidas e ajustadas entre governos e sindicatos nacionais e locais, criando uma regulação para o teletrabalho.


São citados entre os desafios para os profissionais da mídia a falta de equipamento adequado e de boa conexão de internet, dificuldade para conciliar a vida privada e a profissional, jornadas de trabalho mais longas e problemas para produzir reportagens de qualidade.


Entidades internacionais como  a UniGlobal destacam também como um dos problemas mais comuns a impossibilidade de se desconectar. Ela cobra o direito dos trabalhadores de não receber ou responder a e-mails, ligações ou mensagens relacionados ao trabalho fora do horário normal de expediente. A situação é considerada mais grave para os profissionais da mídia, que precisam se manter atualizados.


Vantagens do teletrabalho


A campanha da FIJ defende a possibilidade de um futuro com o teletrabalho, a partir de sua adequada regulamentação, por meio de acordos coletivos. A Federação acredita que essa forma de prestar serviços de mídia pode gerar oportunidades e benefícios aos profissionais, como economia de tempo não remunerado no deslocamento até a redação e maior flexibilidade de horários.


A adequação, ainda segundo a FIJ, partiria de uma combinação entre trabalho a distância e presencial. “O teletrabalho permanente pode criar uma sensação de desenraizamento e aumentar o isolamento social, o que é perigoso para a saúde mental. Também pode prejudicar o trabalho cooperativo dos jornalistas, um elemento essencial da produção de notícias e do jornalismo investigativo”, diz.


Outro princípio básico e inegociável defendido pelas entidades é que o trabalho remoto deva ser voluntário e que os profissionais possam mudar de ideia, reverter ou adaptar seus horários dependendo de suas circunstâncias.


“Hoje  é uma oportunidade de lembrar a todos os nossos afiliados da importância de se envolver em discussões nacionais e locais de trabalho para desenvolver regulamentações claras e de proteção de direitos para garantir que a situação específica enfrentada por nossa profissão não seja esquecida e que condições de trabalho decentes sejam alcançadas para  todos”, defende o secretário-geral da FIJ, Anthony Bellanger.


Durante esta semana, a FIJ vai realizar entrevistas com jornalistas sobre o trabalho remoto, seus problemas e oportunidades, para ampliar as informações sobre o assunto e incentivar os debates locais.


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