Diário de Pernambuco demite 26 profissionais e outros negociam saída por atrasos de salário

Redação Portal IMPRENSA | 05/10/2020 12:09

O Diário de Pernambuco demitiu 26 funcionários, entre gráficos e jornalistas, no primeiro dia de outubro, em plena vigência da Lei 14.020, que instituiu o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, durante a pandemia de coronavírus.

Crédito:Pexels


Com histórico de atrasos salariais, o jornal desligou dois jornalistas e 24 gráficos, encerrando as atividades de uma das mais importantes gráficas do estado, segundo informou o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco (Sinjope). Por conta da situação financeira problemática, outros funcionários negociam suas saídas.


O Sinjope e a Fenaj manifestaram solidariedade aos profissionais e afirmaram que enxergam com preocupação a decisão da empresa, que utilizou como argumento a redução de custos. “Jornalistas profissionais talentosos e com larga experiência no mercado de trabalho [foram demitidos]” afirmam as entidades por meio de nota.


Desde setembro, o Sinjope tenta intervir para regularizar a situação de atraso salarial no Diário de PE, mas em vez disso, foram registradas cinco demissões naquele mês. Três jornalistas deixaram o Diário por meio de negociação, também em setembro, e outros devem ser desligados por meio de acordo.


Em virtude dos problemas financeiros da empresa, não serão pagos de imediato os salários do mês trabalhado das pessoas desligadas, bem como férias, décimo-terceiro salário e outros direitos trabalhistas, como o recolhimento do FGTS e a multa de 40%, ainda segundo o Sinjope.


O Portal Imprensa tentou contato com o Diário de Pernambuco, mas não foi atendido.


“Sabemos, por experiência, que demissões resultam sempre na sobrecarga de trabalho dos que ficam na empresa, geram tensão e mais estresse, além da perda de qualidade de vida, afetando severamente a saúde dos profissionais”, afirma em nota o Sinjope.


O Sindicato e a Fenaj enfatizam que os jornalistas estão sofrendo as consequências das crises financeiras e administrativas da empresa que se acumularam nos últimos anos, e cobram alternativas. “A solução das dificuldades econômicas não passa por demissões injustificáveis e sim pela valorização profissional, através de salários justos e condições de trabalho adequadas”.


As entidades pedem que o diálogo seja mantido e que não haja mais fechamento de postos de trabalho. “[Estamos] atentos a qualquer tentativa de retirada de direitos trabalhistas conquistados ao longo das campanhas salariais e alertas para o cumprimento das Convenções Coletivas de Trabalho”.


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