Em comício, Trump elogia agressões a jornalistas durante protestos antirracismo

Redação Portal IMPRENSA | 23/09/2020 17:58
Num comício realizado em Pittsburgh na última segunda (21), o presidente dos EUA, Donald Trump, elogiou as agressões policiais contra jornalistas ocorridas no fim de maio e início de junho, durante protestos antirracismo impulsionados pelo assassinato de George Floyd.

Trump disse que, na ocasião, os policiais "algumas vezes agarraram" jornalistas e "os atiram para o lado como se fossem um pequeno pacote de pipocas". O presidente classificou tais cenas como "uma bela visão". A plateia que ouviu o discurso riu sem constrangimento.

Trump estava se referindo a dois jornalistas australianos da 7News (Amelia Brace e Tim Meyers), que foram vítimas de agressões policiais nas imediações da Casa Branca no dia 2 de junho.
Crédito:Reprodução EPa / Craig Lassig

A violência foi motivada por uma operação da polícia e da guarda nacional para permitir que o presidente saísse a pé da Casa Branca e empunhasse uma Bíblia junto a uma igreja local.

O primeiro-ministro australiano chegou a declarar que iria prestar todo o auxílio para que os jornalistas entrassem com um processo judicial contra o governo Trump.

Trump também fez menção irônica ao jornalista da MSNBC Ali Velshi, que foi atingido por uma bala de borracha disparada pela polícia de Minneapolis no fim de maio.

"Lembram-se daquela bela visão? A rua estava uma confusão. Aquele repórter idiota da CNN foi atingido por uma lata de gás lacrimogêneo. E foi ao chão. 'Fui atingido. Fui atingido'. Ele foi atingido", disse Trump, confundindo a emissora na qual Velshi trabalha e o tipo de agressão sofrida.

O canal de televisão MSNBC respondeu: "A liberdade de imprensa é um pilar da nossa democracia. Quando o presidente goza de um jornalista pelo ferimento que sofreu enquanto se punha em perigo para informar o público, põe em perigo milhares de outros jornalistas e compromete as nossas liberdades."