Funcionários da prefeitura do RJ são suspeitos de atrapalhar o trabalho da imprensa

Redação Portal IMPRENSA | 01/09/2020 16:26
A Polícia Civil cumpriu nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados a funcionários da prefeitura do Rio de Janeiro que integram grupos de aplicativos de trocas de mensagem conhecidos como “Guardiões do Crivella”.

Segundo reportagem veiculada em telejornais da Globo nesta segunda (30), esses grupos eram formados por funcionários comissionados da Prefeitura do Rio, que eram escalados para a porta de hospitais municipais, com o objetivo de atrapalhar o trabalho da imprensa e impedir denúncias sobre problemas na saúde na gestão do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos-RJ).
Crédito: Reprodução UOL - Saulo Angelo/Futura Press/Estadão Conteúdo
Prefeito do Rio, Marcelo Crivella: funcionários da prefeitura são suspeitos de atrapalhar o trabalho da imprensa 

Os integrantes do grupo agiam em duplas. Após serem escalados para determinado hospital, postavam selfies para mostrar que haviam chegado às unidades.

Quando conseguiam atrapalhar reportagens, os "guardiões" comemoravam com novas trocas de mensagens. 

Em nota a prefeitura negou a criação dos grupos e alegou que atua para "melhor informar a população".

Além dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela polícia, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) instaurou uma investigação sobre o caso e o PSOL protocolou um pedido de impeachment de Crivella na Câmara Municipal.

Um dos alvos dos mandados é Marcos Paulo de Oliveira Luciano. Conhecido como ML, ele seria um dos líderes do esquema. Desde 2017, ML é assessor especial do gabinete de Crivella. Em julho, seu salário foi de R$ 10,5 mil.

Na operação policial desta terça, ML teve apreendidos notebooks e celular e foi levado para a delegacia para prestar esclarecimentos.

Os integrantes do grupo são suspeitos dos crimes de associação criminosa, atentado contra a segurança ou o funcionamento de serviços de utilidade pública e peculato (crime praticado por funcionário público contra a administração).

A polícia também vai ouvir a chefia de gabinete do prefeito Crivella.