Medida judicial contra GGN repercute e entidades classificam caso como censura

Redação Portal IMPRENSA | 31/08/2020 17:48
Divulgada na sexta (28), a determinação do juiz Leonando Grandmasson Ferreira Chaves, da 32ª Vara Cível do Rio de Janeiro, de que o portal GGN deveria retirar do ar 11 reportagens sobre o banco BTG Pactual assinadas pelos jornalistas Luis Nassif e Patrícia Faermann, repercutiu nesta segunda (31).

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (Sindijor-SP) condenaram o que classificaram como mais um episódio de censura no Brasil atual. 

Crédito:Reprodução Revista Fórum
Nassif, do GGN: juiz não entrou no mérito das informações levantadas
A determinação da justiça contra o GGN também foi condenada por políticos (entre eles Lula e Ciro Gomes) e jornalistas. Além disso, o tema foi for parar nos assuntos mais comentados no Twitter.

As reportagens censuradas são sobre a compra pelo BTG Pactual, que tem como um de seus fundadores o ministro Paulo Guedes, de uma carteira de créditos do Banco do Brasil, num negócio sobre o qual pesam suspeitas de favorecimento a interesses privados, já que a venda foi fechada por pouco mais de 10% dos R$ 3 bilhões que a carteira valeria.

A despeito do interesse público que o caso desperta, na decisão o juiz escreveu que a imprensa deve ser livre, mas não pode causar “danos à imagem de quem quer que seja”.

O jornalista Luis Nassif afirmou que, sem entrar no mérito das informações levantadas pelo GGN, o juiz afirmou que o site “transbordou os limites da liberdade de expressão” e que as reportagens poderiam gerar prejuízo financeiro aos acionistas do BTG.

“Essa postura arbitrária é mais um passo do autoritarismo que se instala no país, a partir de um governo com vocação fascista, inimigo declarado da liberdade de imprensa e dos jornalistas, aos quais agride seguidamente, por todos os meios. Mesmo assim, não conseguirá calar a imprensa”, escreveram a Fenaj e o Sindjor-SP.

Se não tivesse retirado as reportagens do ar, o GGN teria de pagar multa de R$ 10 mil por dia. O site está recorrendo da decisão.