Jornalistas já enfrentam restrições na cobertura do impeachment de Trump

Redação Portal IMPRENSA | 17/01/2020 13:53
Segundo o Associated Press News (AP), nesta quinta-feira (16), os jornalistas já experimentaram as restrições à cobertura, data em que o Senado recebeu formalmente os artigos do impeachment. O julgamento acontecerá no dia 21. A segurança foi reforçada e, no porão do Senado, onde os repórteres frequentemente aguardam para fazer questões aos senadores, pelo menos doze policiais se reuniram para impor as novas regras. 
Crédito:Reprodução / AP - foto Pablo Martinez Monsivais

O Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ) insistiu para que as autoridades do Senado reconsiderem as restrições propostas aos jornalistas na cobertura do julgamento do impeachment do presidente Donald Trump, e considerem também o feedback do Standing Committee of Correspondents, responsável por supervisionar e determinar regras para o credenciamento de jornalistas para a cobertura do Senado americano.

O CPJ argumentou que as crescentes restrições tornariam mais difícil para os jornalistas cobrir um grande evento como este e limitar o entendimento do público sobre o processo relacionado ao impeachment.  
Crédito:Reprodução / Twitter

O Diretor do CPJ Carlos Martínez de la Serna ressaltou, em post no Twitter, que “as restrições propostas ao acesso da mídia no julgamento do impeachment do presidente Donald Trump poderiam dificultar a habilidade dos jornalistas de noticiar sobre um evento de interesse público. Os políticos deveriam permitir que a imprensa cobrisse o julgamento livremente, ao invés de limitar o acesso da mídia a este evento crítico”.

Segundo o jornal Roll Call, as restrições visam proteger os senadores e a câmara, mas sugere que repórteres e fotógrafos credenciados, com quem os senadores interagem diariamente, são considerados uma ameaça. A triagem adicional de segurança e o limite à movimentação dos repórteres no Capitólio são duas questões bastante criticadas pela mídia.

O Standing Committee of Correspondents se opôs fortemente às restrições e contesta que as mesmas rejeitaram as sugestões feitas pelos correspondentes “sem uma explicação de como as restrições contribuem para a segurança, ao invés de simplesmente limitar a cobertura do julgamento”.

Em nota na terça-feira (14), o Comitê de Correspondentes ressaltou que “estas restrições potenciais falham em reconhecer o que atualmente funciona no Capitol Hill [Capitólio], e a maneira que o público americano espera poder acompanhar um grande evento do seu governo na era digital”.  

Na entrega dos artigos do impeachment ao Senado, um ato cheio de pompa e circunstância, apenas uma câmera e nenhum fotógrafo teve permissão de documentar este momento histórico. Nenhuma gravação de áudio foi permitida, deixando os repórteres de rádio de “mãos vazias”.

Entre os casos relatados pelo AP estão o do repórter do Miami Herald Alex Daugherty, que relatou pelo Twitter que ele estava conversando com o Senador da Florida Marco Rubio, quando foi interrompido pelos seguranças e impedido de continuar a entrevista. A correspondente Emma Dumain estava no meio de uma conversa com o senador de Indiana Mike Braun, quando pediram para que ela ficasse atrás das cordas de restrição à imprensa para continuar a entrevista.

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