Governo sugere boicote de anunciantes após reportagem sobre investigação de caixa dois

Redação Portal IMPRENSA | 07/10/2019 09:11
Publicada neste domingo, 6 de outubro, pelo jornal Folha de São Paulo, a reportagem "Ex-assessor e planilha implicam Bolsonaro e ministro em caixa dois" causou forte reação do governo federal.

A matéria relata um depoimento dado à Polícia Federal por um ex-assessor parlamentar do hoje ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio, além da apreensão de uma planilha em uma gráfica. Os dois elementos seriam indícios de que dinheiro de candidatas-laranja do PSL em Minas Gerais foi usado nas campanhas do presidente Jair Bolsonaro e do ministro Álvaro Antônio.

Após forte onda de ataques governistas à reportagem nas mídias sociais, incluindo a sugestão pelo próprio Planalto de boicote de anunciantes ao jornal, entidades partiram em defesa da Folha.

A Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgaram no domingo nota conjunta na qual condenam declarações de membros do governo federal, a começar pelo secretário de Comunicação Social, Fabio Wajngarten.

Crédito:EBC
O secretário de Comunicação Social, Fabio Wajngarten, sugeriu que boicote dos anunciantes
No Instagram, Wanjgarten escreveu que “parte da mídia ecoa fake news, ecoa manchetes escandalosas, perdeu o respeito, a credibilidade, a ética jornalística”. Também estimulou anunciantes a ter “consciência de analisar cada veículo de comunicação para não se associarem a eles”.

Os ataques de Jair Bolsonaro à Folha também foram repudiados pela ANER e pela ANJ. Em suas redes sociais neste domingo, ele postou que o jornal “avançou a todos os limites, transformou-se num panfleto ordinário às causas dos canalhas”. O presidente também se dirigiu aos anunciantes do jornal. “O que mais me surpreende são os patrocinadores que anunciam nesse jornaleco”, disse.

Segundo a reportagem da “Folha de S.Paulo”, Haissander Souza de Paula, ex-assessor parlamentar de Álvaro Antônio, disse à PF que “acha que parte dos valores depositados para as campanhas femininas, na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro”.

Em nota, a defesa do ministro afirma que o depoimento foi prestado sob coação e retificado posteriormente por Haissander. A reportagem também menciona uma planilha apreendida numa gráfica com a expressão “out”, que na avaliação de investigadores ouvidos pelo jornal significa pagamento “por fora”.


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