Impulsionada por operação contra hackers, CPMI das fake news é criticada por governistas

Redação Portal IMPRENSA | 30/07/2019 09:36
Contemplando quatro linhas de investigação (ataques cibernéticos contra a democracia e o debate público, uso de perfis falsos nas redes sociais na eleição de 2018, cyberbullying sobre agentes públicos e internautas vulneráveis e aliciamento de crianças para crimes de ódio e suicídio), a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar a veiculação de notícias falsas será prioridade de deputados e senadores no retorno do recesso parlamentar, em agosto. 

De acordo com analistas políticos, a preferência à pauta no Congresso foi impulsionada pela operação da Polícia Federal contra ataque de hackers a celulares de autoridades. Entre as vítimas dos ataques, o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que a ação dos hackers pode levar à produção de fake news, confusão de informações e manipulação da opinião pública.
Crédito:Agência Senado
Presidente do Congresso, Davi Alcolumbre quer leis mais transparentes para combate às fake news


"O legislador deve colaborar com soluções e leis mais transparentes para o combate a esse tipo de crime. É isso que queremos debater na CPMI que vai investigar as notícias falsas no Congresso Nacional”, disse Alcolumbre em nota.

A CPMI das fake news será composta por 15 senadores e 15 deputados, além de igual número de suplentes. A investigação deve durar 180 dias.

Considerada uma ameaça ao governo de Jair Bolsonaro, uma vez que serão investigadas as notícias falsas que circularam nas eleições presidenciais de 2018 e o uso de perfis falsos nas redes sociais para fins políticos, a CPMI das Fake News vem sendo criticada por aliados do presidente.

O deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a comissão. Por sua vez, o senador Eduardo Gomes (Solidariedade-TO) acionou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também com o objetivo de barrar a CPMI. 

“CPMI das Fake News é um apelido bonitinho para disfarçar a verdadeira intenção: criar Fake News contra o governo, censurar a população que está se manifestando na internet e, no final, propor a ‘regulamentação’ da mídia (leia-se censura a liberdade de imprensa)”, declarou Filipe Barros em 3 de julho, dia em que Alcolumbre oficializou a CPMI

Barros aponta objetivos políticos na comissão. “Apesar do autor [da CPI] não ser dos partidos de oposição, é a esquerda que está comemorando a abertura da CPMI. É claro que tem algo errado aí: querem calar o povo brasileiro”, disse.