“O mundo digital traz ao jornalismo o desafio da ubiquidade”, afirma Marcio Gonçalves, autor de ‘Inteligência Digital’

Gisele Sotto, em colaboração | 22/02/2019 13:00

Com a motivação de promover insights sobre os desafios sociais ligados ao crescimento do mundo digital, o professor e doutor em Ciência da Informação Marcio Gonçalves desenvolveu o livro-jogo “Inteligência Digital”, que responde a 100 questões sobre as novas formas de comunicação em rede. Obra foi publicada pela editora Matrix.

“As perguntas do livro servem para aplicação em diferentes contextos: estímulo à discussão sobre cultura digital e ao comportamento na vida online e offline”, afirma Marcio.


Em entrevista ao portal, o colunista do Portal IMPRENSA e líder do projeto Aula Sem Paredes fala sobre seu projeto.

Crédito:Arquivo pessoal


O que te motivou e qual foi o ponto de partida para o desenvolvimento do livro-jogo “Inteligência Digital”? E a razão de optar por este tipo de formato?


Sou admirador do formato livro-caixinha. É uma forma lúdica de apresentar conteúdo de valor remetendo ao jogo de cartas. Quando percebi que não havia reflexão acerca dos temas relacionados à tecnologia digital, percebi que era a hora de contribuir com meu conhecimento produzindo uma obra neste formato.


Como você vê a relação dos profissionais e estudantes de comunicação com a tecnologia? Pode destacar pontos positivos e negativos dessa relação?


A popularização da comunicação móvel, ao mesmo tempo que modifica as estruturas de trabalho, amplia as chances de empregabilidade dos estudantes e dos profissionais de comunicação. Há pontos positivos a ressaltar: possibilidade de acompanhar as novidades na área no Brasil e no exterior, mais interatividade com os públicos e ganho de a história ter seu conteúdo narrados em diferentes plataformas. Negativamente a tecnologia digital, diante da convergência de mídias, faz com que as tarefas antes desenvolvidas por uma equipe de profissionais passem para as mãos de alguém que domine a linguagem desses diversos meios.


Você comenta que o crescimento do mundo digital fez surgir novos desafios. Quais deles estão diretamente ligados ao jornalismo?


O mundo digital traz ao jornalismo o desafio da ubiquidade. Se não é possível estar em todos os lugares ao mesmo tempo, há de se ampliar a presença em diversos meios: notícias no Instagram, no Facebook, no Twitter etc.


De que maneira a interação com o seu livro pode despertar insights nos profissionais e estudantes de jornalismo e comunicação?


As perguntas, todas abertas, dão a chance de se pensar em pautas ainda não exploradas pela grande imprensa. Quando usado em grupo, ouvir as respostas de quem participa amplia o repertório de histórias. Isso é prato cheio para o jornalismo.


Outro ponto que você destaca é sobre a segurança da informação. Na sua opinião, essa responsabilidade está nas mãos das empresas ou das pessoas?


A segurança de nossos dados cabe a nós protegê-los. Mas quando um dado vira informação em uma rede social, como, por exemplo, a marcação de um local, o livro preferido, o último lugar em que passou férias, tudo isso compartilhado pode ser usado para uma campanha de marketing sem a nossa autorização.


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