Advogados de repórter do iG dizem que ela tinha sido licenciada antes da demissão

Vanessa Gonçalves e Alana Rodrigues | 22/06/2016 18:30

Nesta quarta-feira (22/6), os advogados que representam a repórter do iG demitida após denunciar o assédio sexual de MC Biel, emitiram uma nota em que informam a jornalista ainda busca entender o motivo de seu desligamento do portal.

Crédito:Reprodução
Repórter acredita que demissão pode refletir em sua carreira

No comunicado, a defesa da repórter informa que após a mídia divulgar o caso, no dia 3 de junho, o veículo teria determinado que ela se licenciasse de suas atividades por tempo indefinido. No entanto, a jornalista teria optado por voltar ao trabalho poucos dias depois.

Porém, a jornalista foi demitida na última sexta (17/6) e "busca entender o porquê desta atitude e os possíveis reflexos em sua carreira”. Os advogados afirmam que o objetivo dela "sempre será o de defender a sua honra como mulher e também de sua classe profissional”. 

No texto, ainda dizem que ela "agradece todo o apoio que tem recebido e a mobilização de diversos grupos indignados com o ocorrido, reiterando sua vontade de ter todos os fatos esclarecidos ao público no momento oportuno”. Leia o comunicado na íntegra.

Licença não foi imposta

Após o posicionamento da repórter por meio dos advogados, IMPRENSA apurou que o veículo rebate a versão apresentada. A repórter só foi afastada depois de demonstrar muito nervosismo e chorar bastante após o apresentador Marcelo Rezende, do "Cidade Alerta",  da Record, divulgar parte do áudio com o assédio do cantor no dia 6 de junho. A ideia de mantê-la uns dias longe da redação visavam seu bem-estar. A recomendação era que ela ficasse em casa até se sentir melhor com toda a situação.

No dia seguinte ao vazamento do áudio, a estagiária teria ido até a redação acompanhada de sua mãe e combinado com seus superiores que ficaria em casa por tempo indeterminado. No dia 10 de junho, em contato com a redação, ela disse que estava apta a retomar suas atividades e voltou a trabalhar em 14 de junho.

A jornalista trabalhou normalmente até o dia 17 de junho. Entretanto, nesta data, os jornalistas do iG receberam a orientação da direção para que não publicassem mais nenhuma reportagem sobre o caso do assédio. Na sequência, a estagiária teria sido demitida.

Campanha Sem Assédio na imprensa 

IMPRENSA lançou a campanha #SemASSÉDIOnaimprensa. O objetivo é mostrar como repórteres do sexo feminino e masculino estão expostos ao assédio moral e sexual, tentando encontrar ao lado de especialistas e das entidades ligadas à imprensa formas de reduzir/acabar com esse tipo de ação com soluções práticas. 

Convidamos jornalistas e comunicadores de todo o Brasil a contar suas histórias, sob anonimato, se assim o desejar, para que todos possam ficar de olho e ajudar no combate ao assédio à imprensa. 

Os interessados podem mandar seus relatos para o e-mail: redacao@portalimprensa.com.br, colocando no assunto: depoimento sem assédio na imprensa. Garantimos que sua identidade e a do assediador serão mantidas em sigilo.

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