Em nota, Delcídio do Amaral não confirma conteúdo da "IstoÉ" sobre delação premiada

Redação Portal IMPRENSA | 04/03/2016 09:00
Na última quinta-feira (3/3), a reportagem de capa da revista IstoÉ divulgou que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) teria feito um acordo de delação premiada e citado entre os envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras, investigado na Operação Lava Jato,  o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff.

Crédito:Reprodução
Senador não confirma conteúdo de reportagem da "IstoÉ"

A grande repercussão do texto deu-se por apontar Lula como mandante dos pagamentos feitos ao ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, e que Dilma teria interferido ao menos três vezes nos processos contra executivos presos pela Polícia Federal.

Após a reprodução do conteúdo da delação se espalhar pela imprensa nacional e internacional, o senador divulgou uma nota à imprensa dizendo que não confirma o conteúdo da reportagem da IstoÉ. Segundo Valor Econômico, além disso, o parlamentar afirma que não reconhece a autenticidade dos documentos apresentados na matéria e que não foi procurado pelo veículo para se pronunciar.

"Em respeito ao povo brasileiro e ao interesse público, o Senado Delcídio Amaral e a sua defesa vêm se manifestar sobre a matéria publicada na Revista IstoÉ na data de hoje. À partida, nem o Senador Delcídio, nem a sua defesa confirmam o conteúdo da matéria assinada pela jornalista Débora Bergamasco. Não conhecemos a origem, tampouco reconhecemos a autenticidade dos documentos que vão acostados ao texto. Esclarecemos que em momento algum, nem antes, nem depois da matéria, fomos contatados pela referida jornalista para nos manifestarmos sobre fidedignidade dos fatos relatados. Por fim, o Senador Delcídio Amaral reitera o seu respeito e o seu comprometimento com o Senado da República".

Ao portal UOL, Débora Bergamasco, diretora da sucursal da IstoÉ em Brasília e autora da reportagem, reafirmou a autenticidade do material divulgado. "A gente reafirma, sim, o que publicamos. Temos a comprovação de que esse acordo tramitou pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Está tudo registrado".

Após o posicionamento Amaral, a revista também se pronunciou e publicou uma nota contestando as afirmações do senador e de seu advogado:

"O senador Delcídio do Amaral (PT-MS) divulgou uma ambígua nota à imprensa. O ex-líder do governo afirma desconhecer os documentos publicados em reportagem de ISTOÉ sobre o depoimento dado por ele ao Ministério Público Federal em tratativas de delação premiada, mas não contesta o conteúdo das revelações publicadas. O depoimento foi colhido por integrantes da Operação Lava Jato e a delação de Delcidio aguarda a homologação no STF.

Antes que as deleções premiadas sejam homologadas pela Justiça, é procedimento padrão que os delatores neguem seus depoimentos, sob pena de terem o acordo negado posteriormente. É esse o caso do senador Delcidio do Amaral. O acordo foi firmado com os procuradores e as declarações foram prestadas, mas o processo aguarda a aprovação do ministro Teori Zavaski".

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