“Fizemos o filme na redação da Folha. Aprendemos na raça”, diz diretor de “Junho”

Jéssica Oliveira | 05/06/2014 17:05
A sete dias para o início da Copa do Mundo, os cinemas de todo o Brasil recebem nesta quinta-feira (05/06) a estreia do longa-metragem "Junho - O mês que abalou o Brasil”. O filme foi produzido pela equipe da TV Folha, do jornal Folha de S.Paulo, durante as primeiras manifestações contra o aumento das passagens do transporte público, em 2013. 

João Wainer, diretor da TV Folha e do filme, conta que sempre quis fazer um longa dentro do jornal, por acreditar que havia potencial para isso, o que, para ele, foi comprovado com “Junho”. “Fizemos e finalizamos o filme na redação da Folha. Aprendemos na raça. Isso é um golaço. É uma nova fronteira que está se abrindo”, afirma ele, que ressalta que o longa não contou com patrocinador nem recursos públicos.
Crédito:Reprodução
Cartaz do filme "Junho". Produzido dentro da "Folha", longa estreia nesta quinta-feira
Segundo Wainer, todos da TV Folha se envolveram no projeto, desde os profissionais de “vinte e poucos anos”, que compõem a maioria, a ele e Fernando Canzian, “mais experientes”. “Todo mundo foi para rua. É uma equipe que deu o sangue, literalmente, nessa cobertura. Eles foram fundamentais, perceberam a importância do que estava acontecendo e se dedicaram muito”.

Crítica à imprensa

Wainer explica que o filme não poderia ser feito sem repensar as atitudes dos meios de comunicação à época das manifestações, que foram muito criticados por editoriais e comentários. “O filme faz uma crítica de modo geral à imprensa no momento que ela ficou meio perdida. Tentamos ser muito mais descritivos, do que analíticos e opinativos”, afirma. 

Segundo o jornalista, “Junho” foi pensado no meio da cobertura das manifestações de 2013, quando a equipe percebeu o tamanho e a dimensão do momento que o país atravessava. Os profissionais passaram a captar conteúdo não só para o programa semanal que existia à época na TV Cultura, mas também para o longa. 

“Em uma cobertura factual, você acaba pensando em sintetizar tudo na necessidade do momento, mas pedi [aos profissionais da equipe] que abrissem um pouco mais a cabeça e fizessem cenas que talvez não fossem importantes para o material da semana, mas para algo maior”, lembra. 

A equipe “foi gravando e assistindo” até sentir que dava para apresentar o material à direção do jornal, que gostou e deu carta branca para o projeto. Em fevereiro, a equipe concluiu a edição e começou a finalização. Parte desse processo contou com a ajuda dos trainees do jornal, que tiveram a missão de encontrar algumas pessoas e pedir a autorização do uso de imagem.

Estratégia de lançamento
O filme está disponível em doze Espaços Itaú de Cinema em dez cidades - São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Curitiba, Santos (SP), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Brasília (DF) e João Pessoa (PB) - e via iTunes para mais de 80 países, com legendas em inglês, espanhol, francês ou alemão. Na Apple Store, ele custa US$ 4,99 (R$ 11,10 aluguel) e US$ 14,99 (R$ 33,35 compra). Assinantes da jornal poderão assistir ao filme gratuitamente.

Segundo Igor Kupstas, diretor da distribuidora O2 Play, este é o primeiro filme brasileiro a ser lançado no sistema day and date (dia e data, em tradução livre) dos cinemas com o iTunes. “Acreditamos muito no momento do lançamento deste filme. Pelo timing do que estamos vivendo, queremos disponibilizar para o maior número de pessoas”, afirma. 

Apesar de o alcance dessa estratégica, o “day and date” levanta discussões em outros países, como a possibilidade de tirar o público dos cinemas. No entanto, Kupstas defende o formato. “Hoje é tudo muito rápido, se em uma ou duas semanas o filme não dá resultado, ele sai de cartaz. Essa sobrevida do filme no digital e on demand em qualquer lugar do mundo abre uma possibilidade incrível. Muitos filmes já estão na pirataria, nas barraquinhas ou via download, de qualquer forma. Nesse formato o público pode ver com qualidade, da forma que o filme foi imaginado e pensado”.

Polêmicas à parte, Wainer acredita que o formato casou perfeitamente com o longa. “É um filme de timing de lançamento. Gravado em um momento histórico, lançado em um momento histórico. Ele não teria a mesma força que tem às vésperas da Copa do Mundo”.

Para ele o filme cumpriu o que se propôs: fazer um recorte e contar os acontecimentos do mês de junho. “Os desdobramentos ainda estão acontecendo, não sabemos até onde vão”.

Assista ao trailer:

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