Comitê para a Proteção dos Jornalistas lança relatório especial sobre liberdade de imprensa

Gabriela Ferigato, enviada a Brasília (DF) | 06/05/2014 18:25
O 6º Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia marcou o lançamento do relatório especial sobre a liberdade de imprensa no Brasi elaborado pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). Ele inclui capítulos sobre a violência e a impunidade, o marco civil e legislação sobre a internet, a censura judicial, obstruções para cobrir os protestos, além das recentes medidas do governo e as conclusões do Grupo de Trabalho. Inclui também recomendações do CPJ para o governo brasileiro sobre a forma de abordar estas questões. 

Crédito:Robson Cesco
Carlos Lauría do Comitê para a Proteção dos Jornalistas

Outro relatório, apresentado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) vem, desde os protestos de junho de 2013, compilando casos de violações contra jornalistas. A Abraji decidiu ouvir os jornalistas agredidos, presos ou hostilizados nas ruas desde o ano passado e produzir, a partir da experiência deles, um guia prático com algumas informações sobre o que acontece nas manifestações e como os jornalistas podem se proteger.

De acordo com Clarinha Glock, representante da Abraji, a entidade traçou um histórico do que está acontecendo e dos tipos de violência. O manual completo será lançado antes da Copa do Mundo. “É um guia para auxiliar na cobertura da Copa do Mundo e das possíveis manifestações que irão ocorrer. Desde 2000, quando comecei a pesquisar, vi que a profissão vive um momento muito emblemático. Um deles foi o caso Tim Lopes, em 2002”, afirmou.

Segundo ela, após disso, muitas empresas começaram a usar coletes e a se preocupar mais com medidas de segurança, o que não significa que não tiveram agressões. “Vimos muitos casos em situações específicas em áreas com coronelismo, por exemplo, mas foram casos que não estavam na grande imprensa”, afirmou Clarinha. 

Um dos depoimentos da plateia, e que também participou do relatório da CPJ, foi do filho do comentarista esportivo Valério Luiz, assassinado em 2012 em Goiânia, e que tramita no CNJ. “Nossa desconfiança com desembargadores é grande. Vamos acompanhar o grupo de trabalho e espero que isso prossiga”, afirmou Valério Luiz Filho.

Entre as dicas produzidas pela Abraji para os jornalistas, estão: não usar lentes de contato, já que o gás lacrimogêneo entra por baixo delas; usar tecidos naturais, pois são menos inflamáveis que os sintéticos; mulheres devem considerar não usar maquiagem, pois o gás adere a ela e que equipes devem procurar traçar rotas de fuga. “A equipe tem que planejar previamente o que tem que ser feito”, completou Clarinha.

O Painel II foi moderado por Ricardo Uceda, do Instituto Prensa y Sociedad – IPYS e também contou com a participação de Carlos Lauría e María Teresa Ronderos, ambos do Comitê para a Proteção dos Jornalistas. “A liberdade de imprensa é um elemento necessário na sociedade democrática. É como se fosse o máximo de cidadania. É uma questão central e queremos apoiar todos os envolvidos. Que a informação flua e seja vista”, afirmou María Teresa. 

De acordo com Lauría, o Brasil teve pelo menos 12 jornalistas mortos em represália direta pelo desempenho profissional desde que a presidente Dilma Rousseff assumiu o governo em 2011, e outros cinco assassinados em circunstancias poucos claras. “A investigação de grupos de mídia e de defensores da liberdade de imprensa, tantos nacionais quanto internacionais, levou o governo de Dilma a tomar medidas, principalmente com a formação de um grupo de trabalho no final de 2012 para investigar ataques contra a imprensa e emitir recomendações ao governo federal. Agora que o grupo divulgou seu relatório, a questão é se o governo vai ou não implementar suas recomendações e, caso sim, com que rapidez”, afirmou.