Último dia na vida de Vladimir Herzog vira curta-metragem nos Estados Unidos

Gabriela Ferigato | 04/02/2014 16:15
Se depender de livros e documentários, a história de Vladimir Herzog, jornalista morto durante a ditadura militar, ficará sempre viva na memória dos brasileiros. Obras como "Dossiê Herzog" (Global), "Cidadania Proibida" (Imprensa Oficial), “As Duas Guerras de Vlado Herzog” (Civilização Brasileira) e o longa "Vlado - 30 Anos Depois" são exemplos disso. A proposta do cineasta Felipe Mucci é que ela chegue aos Estados Unidos por meio do filme “Vlado”.
Crédito:divulgação
Felipe Mucci é estudante do curso "Direção de Cinema" na AFI (American Film Institute)
Estudante de Direção de Cinema na AFI (American Film Institute), em Los Angeles (EUA), Mucci resolveu fazer seu curta-metragem de conclusão de curso inspirado no último dia na vida de Vladimir Herzog (25/10/1975). Para escrever o roteiro, estudou sua história e contou com a ajuda de amigos do jornalista, como Paulo Markum, e também do filho, Ivo Herzog.

“Eu nasci numa família de jornalistas/cineastas, logo a história do Vlado me foi contada quando eu ainda era pequeno. Quando eu tinha 20 anos, meus pais estavam trabalhando na TV Cultura com o Paulo Markun e, após conhecê-lo, ele me deu o seu livro ‘Meu querido Vlado’. Desde então, eu sempre quis retratar o que aconteceu com ele”, conta.

O foco do filme serão as últimas horas antes do jornalista se entregar ao Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) e como ele chegou à decisão de ir até o local. “É importante deixar claro que esse é um curta-metragem de ficção baseado no Vlado. Algumas coisas foram mudadas para efeito dramático, mas não as suas decisões e como ele se comportava naquele contexto”.

Segundo Mucci, nos Estados Unidos ninguém sabe quem foi Vladimir Herzog ou o seu significado para o Brasil. “Os americanos, e não só eles, mas a maioria das pessoas com quem convivo, e muitos são estudantes internacionais vindos de diversos países, não sabem quem ele foi ou até que o Brasil esteve sobre o comando do exército. Mas a recepção do projeto está sendo ótima. As pessoas sempre se interessam pelo tema”, completa.

O projeto está sendo realizado por meio do crowdfunding e recebe doações pelo site

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