Nova Zelândia deve eleger jornalista como premiê

Redação Portal IMPRENSA | 22/09/2017 10:22
Jacinda Ardern, jornalista de 37 anos e DJ nas horas vagas, deve vencer o pleito eleitoral para primeiro-ministro na Nova Zelândia no próximo sábado (23). Apesar de não ter experiência em cargos executivos, as chances da jornalista ser eleita são reais, segundo informações da Exame. 
Crédito:Fiona Goodall/Getty Images
A popularidade de Jacinda inflamou as comparações com o canadense Justin Trudeau e o inglês Jeremy Corbyn. Entre os jovens, a intenção de votos da jornalista supera os 50%. “Ela é um exemplo pela paixão com que defende os mais pobres”, diz a estudante de pedagogia Chloe Cull, de 26 anos, logo após sair de uma sala de votação antecipada em Christchurch, a terceira maior cidade do país.

De acordo com Exame, a ascensão de Jacinda se dá ao positivo panorama social do país. Sem conflitos internos, desemprego e problemas com questões raciais, a ilha se preocupa com outros temas menos urgentes. O país é considerado uma das democracias menos corruptas do mundo, segundo a ONG Transparência Internacional e, desde os anos 80, tanto direita quanto esquerda gravitam sobre as plataformas de abertura econômica, menos interferência do Estado nos negócios e rigor fiscal. Em meio a essa convergência de ideais, o que costuma definir a disputa para os neozelandeses é a experiência do candidato no dia a dia de governo.

Ainda segundo Exame, a jornalista marca uma ruptura com o discurso liberal predominante no país e uma de suas principais plataformas é a proibição de estrangeiros não residentes na Nova Zelândia de comprarem imóveis no país. “Queremos uma regulação para que todos os neozelandeses tenham casas que sejam aquecidas e que tenham coisas básicas, como janelas”, diz ela. 

O fenômeno de ascensão da candidata também se explica pela sua informalidade e familiaridade com as redes sociais. Hard user das plataformas, a jornalista alimenta com imagens e textos seus eleitores sobre sua rotina. Jacinda interage muitas vezes “vestindo a camisa” do eleitorado. Sua forma de fazer campanha, segundo a Exame, lembra a forma de apresentação do prefeito de São Paulo, João Doria.