Após polêmica com apresentadora ESPN é criticada por ser “muito política”

Redação Portal IMPRENSA | 13/09/2017 10:04
O canal esportivo ESPN se envolveu em uma polêmica com Donald Trump nas últimas semanas. Jemele Hill, a apresentadora de "The Undefeated”, programa diário que tem como pano de fundo os temas esportes, raça, cultura e política, publicou em seu Twitter duras críticas ao presidente. 
Crédito:Divulgação ESPN
 
"Donald Trump é um supremacista branco que se cercou de outros supremacistas brancos.", disparou a jornalista. Em outra oportunidade, ela também disse que Trump era o presidente mais ignorante e ofensivo de sua vida. 

Conforme explica James Warren, editor do “Poynter.org”, as declarações geraram uma onda de comentários negativos em um momento em que a ESPN vem sendo duramente acusada de ser demasiadamente política. O apresentador da Fox, Tucker Carlson, é um dos mais críticos ao canal. Ainda de acordo com Warren, a ESPN vem perdendo público e receita, talvez inevitáveis em uma era de fragmentação de mídia, porém não se sabe se o posicionamento político da emissora seria uma das razões.

Os comentários de Jemele geraram manifestações de outros veículos. O site de esportes “Deadspin” afirmou: “É possível politizar os esportes para descrever um homem que apoiou manifestantes neonazistas em uma transmissão nacional? É uma vergonha e uma maravilha que a ESPN ache possível apaziguar as pessoas que nem sequer querem ser apaziguadas”.   

Michael Harriot, um escritor da equipe do “The Roots” e anfitrião do podcast "The Black One" rapidamente saiu em defesa da jornalista. “Não seria propriedade por ela ser negra ao falar sobre uma reminiscência de 200 anos? Não seria essa a definição de supremacia branca? Não há como enviá-los de volta para suas minúsculas caixinhas para se amontoarem em um canto até que aprendam seus limites”, vaticinou.   

Para Warren cabe aos editores olharem no espelho e verem que são responsáveis por desencadear um problema social. Ao mesmo tempo em que querem transformar jornalistas em marcas, com grandes audiências online, tem que cuidar para não enrubescer os anunciantes. 

O Twitter agora é uma saída que esses editores precisam aprender a contornar. “De modo geral, é um veículo sem filtro de edição. Então, todos os jornalistas desde Jemele Hill até o repórter que cobre o Departamento de Estado, o conselho do condado, a prefeitura, a equipe da NFL, os esportes do ensino médio, a imigração e, claro, a política, possuem uma força criativa (ou não criativa) para publicar seus pensamentos sobre qualquer coisa”, afirma Warren.

“As bolhas podem divergir para a esquerda, direita, ser centrista, perspicaz, idiota ou inflamatória. Mas alguns chefes, nervosos com o declínio das receitas, olham para o outro lado, apenas quando forçados por um incidente é que param e analisam o que está sendo produzido sob sua bandeira”, insiste.

“Muitos editores querem o tom provocativo. E eles conseguiram, coforme Jamele personifica. Quando se trata do nexo de esportes, raça, cultura e política, pelo menos, Jemele Hill, é uma ótima escolha para o ‘The Undefeated’”, finaliza Warren.