Após rasgar "Clarín", chefe de gabinete argentino "discute" com autor de reportagem

Redação Portal IMPRENSA | 03/02/2015 19:30
Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (03/02), Jorge Capitanich, chefe de Gabinete do Executivo da Argentina, teve um momento de tensão com o jornalista Nicolas Wiñazki, autor de uma das notícias que ele criticou ao rasgar páginas do jornal Clarín no dia anterior, informou o La Nación.

A matéria, publicada no domingo (01/02), dizia que o procurador-geral Alberto Nisman, morto em circunstâncias não esclarecidas, queria pedir a detenção da presidente Cristina Kirchner. A informação estaria num esboço da denúncia, ocultada por Nisman, supostamente para não prejudicar as investigações. Ao rasgar o jornal ao vivo, Capitanich chamou a matéria assinada por Wiñazki e por Daniel Santoro de "lixo e mentiras"

No entanto, na manhã desta terça, a procuradora do caso, Viviana Fein reconheceu na rádio Vorterix que o esboço existe e que faz parte de sua investigação. Cerca de trinta minutos depois das declarações, teve início a coletiva de imprensa de Capitanich.

A primeira pergunta foi sobre a fala de Viviana. Após dizer que iria ocupar o lugar do judiciário e da procuradoria, ele afirmou que "isso" faz parte das operações da imprensa "bruta e sistemática". "É lixo permanente". Ao criticar novamente o Clarín e relacionar a publicação com "grupos de inteligência", ele disse que buscar informações no jornal não tem sentido nem segurança.

No final da coletiva, Capitanich cruzou com Wiñazki, que havia acompanhado a entrevista para pedir explicações sobre o ocorrido no dia anterior. Olhando para o jornalista, o chefe do gabinete disse que a liberdade de imprensa tem sido "muito bem defendida" pelo governo argentino, "respeitando a opinião de todos", e falou que o Clarín quer apenas "extorquir governos".

Questionado pelos colegas, Wiñazki classificou como lamentável a atitude de Capitanich. "Não posso olhar para sua cara. Demonstra o tipo de funcionário que é", declarou. 

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