Repercussão sobre massacre na Nigéria pode ter sido comprometida por atentado na França

Redação Portal IMPRENSA | 14/01/2015 08:30
Diante da notícia divulgada pela Anistia Internacional de que mais de duas mil pessoas tenham sido mortas pelo grupo Boko Haram, na Nigéria, nos últimos dias, meios de comunicação e analistas começaram a se questionar sobre o peso da informação em relação aos recentes ataques terroristas em Paris. A repercussão na mídia, segundo autoridades nigerianas, não foi a mesma.

De acordo com o portal G1, o grupo radical islâmico é crítico ao governo e a educação ocidental na Nigéria. Também são contrários à educação de mulheres, sendo responsáveis por diversos ataques e sequestros no País desde 2009, quando foi criado. A estimativa é que nesses cinco anos, mais de 15 mil pessoas tenham sido mortas pelo Boko Haram.

Crédito:Reprodução/ Twitter
Presidente nigeriano foi criticado por não se pronunciar sobre ataques em seu país
O caso chamou a atenção do arcebispo da cidade de Jos, Ignatius Kaigama, que disse à BBC que esperava o mesmo apoio e unidade demonstrados no atentado à redação do Charlie Hebdo também na Nigéria. "Precisamos que esse espírito se multiplique, não apenas quando isso ocorre na Europa, mas também na Nigéria, no Níger ou em Camarões".

Uma das possíveis razões para o desequilíbrio na cobertura seja a infraestrutura da região onde os ataques do grupo extremista ocorreram. De acordo com o The Guardian, praticamente não existe acesso à internet nas aldeias que foram foco do Boko Haram, tampouco jornalistas tem se arriscado a chegar ao local por receio de sequestros. As poucas informações que chegam ainda são baseadas em relatos de sobreviventes.

O cenário justifica porque mesmo depois de dez dias desde que os ataques foram intensificados, não há registros de fotos e vídeos da região. O governo nigeriano também tenta abafar o caso. No último dia 9 de janeiro, desmentiu a Anistia Internacional, afirmando que as mortes não passam de 150.

Para piorar a situação no país, a posição do presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, foi bastante criticada, principalmente, por publicar em seu perfil no Twitter sua solidariedade ao povo francês pelos ataques em Paris, mas não ter dito nada sobre os problemas de seu próprio povo.